Os animais não devem ser presentes de Natal nem de aniversário: alguns argumentos

 

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É certo que a época que agora termina é propícia à ideia de oferecer um animal de estimação, especialmente às crianças, e este gesto pode ser antecedido de boas intenções. Contudo, se refletirmos um pouco, não é necessariamente uma boa opção, podendo ser até bastante prejudicial.

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Vejamos, então, algumas razões pelas quais não se devem oferecer animais de companhia como presente:

1- A decisão de oferecer um animal de companhia é muitas vezes impulsiva e pouco ponderada, tanto da parte de quem oferece, como da parte de quem recebe, sobretudo se acontecer na decorrência do pedido de uma criança. Quer isto dizer que, não sendo os animais objetos, é necessário estar-se bem consciente do cuidado e atenção que exigem e merecem: alimentação adequada, brincadeiras, passeios, tratamentos médicos, etc. Quando as crianças desejam ter um animal, não estão inteiramente conscientes do que isso significa, em termos de responsabilidade e de cuidado. Portanto, cabe aos adultos não ceder a pressões e confirmar se existem condições para o fazer, isto é, se há espaço suficiente em casa, se há tempo para disponibilizar e se no orçamento familiar “cabem” as inevitáveis consultas veterinárias, vacinas e/ou outros procedimentos.

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2-O constrangedor cenário dos animais abandonados, tanto na RAM como no resto do país, denota uma mentalidade francamente arcaica e utilitarista, que ou já desapareceu ou está em vias de desaparecer em outros países, e que nos deixa numa posição muito pouco confortável em termos de avanço civilizacional, especialmente sendo a RAM um reconhecido destino turístico, para além de todo o sofrimento desnecessário envolvido. Um grande número desses animais abandonados, especialmente cães, foi descartado e literalmente “deitado fora”, muitas vezes em condições deploráveis, por quem tão depressa decidiu que queria um animal de companhia, como depois decidiu que não. Portanto, quando se oferece um animal, não há certeza que não vá posteriormente parar à rua.

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3-Na sequência do ponto anterior, é também frequente oferecer animais bebés porque são “pequeninos e fofinhos”; mas como sucede com todos os seres vivos, os bebés crescem, tornam-se adultos e já não tão “fofinhos”. Assim, é necessário entender que os animais não são peluches nem marionetas; são seres com individualidade, emoções e inteligência, e que a sua existência vale por si mesma, não se destinando a satisfazer os nossos caprichos nem a preencher os nossos vazios emocionais…

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4-Embora haja quem adote, são ainda frequentes as ofertas de animais comprados. Este ato esconde uma realidade reiteradamente cruel e pouco conhecida da maioria, de criadores sem escrúpulos e de animais apurados geneticamente para agradar aos desejos humanos, e por isso, em risco de desenvolver inúmeros problemas de saúde. O “estatuto” que muitos pensam ganhar ao ter um animal de certa raça, contrasta com o respeito que os animais merecem e que lhes é devido.

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5-Em resumo, e sem prejuízo do que foi dito, a aquisição de um animal de companhia envolve aspetos de ordem prática, económica, pessoal e ético-moral, que há que ter em conta. A adoção é sempre preferível à compra. Quando levamos um animal para casa, é necessário assumir a responsabilidade desse ato e compreender que ele se torna um membro permanente da família até à sua morte natural. Se houver sensibilidade e uma atitude ponderada, muito teremos a ganhar com as relações de cooperação entre seres humanos e animais, já exaustivamente documentadas. Para trás ficarão também as relações pouco éticas e arrogantes de domínio e de instrumentalização. A Legislação tem reconhecido a urgência das mudanças culturais e de mentalidade e vai avançado no sentido de responsabilizar e punir os infratores. Claro que em termos ético-morais, coloca-se a questão de porquê proteger os animais de companhia e aceitar que se matem legitimamente outros, como os que são usados na alimentação, mas este tópico exige uma abordagem em separado, a tratar oportunamente. Até lá, que as nossas resoluções de Ano Novo passem por ajudar a minimizar a crueldade e o sofrimento, tanto no que concerne a seres humanos, como a animais não humanos.

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