Desertificação de ruas no Funchal é fenómeno crescente

Rui Marote
A Rua Serpa Pinto é um exemplo de uma rua devoluta no centro do Funchal que não reúne população suficiente nem sequer para organizar uma “excursão”.
O Funchal Noticias nos seus já vários anos de existência alertou em 2016, 2018, 2021, 2022 e 2023 com três reportagens intituladas: “Barril de Pólvora  no coração da cidade”; “Sem abrigo e toxicodependentes invadem prédios devolutos”; “Prédios degradados à mercê de toxicodependentes”… Estes foram alguns dos títulos, expressando as preocupações dos cidadãos com esta rua. Mas a Câmara do Funchal parece de mão amarradas e sem soluções para esta artéria.
Quem foi Serpa Pinto? Foi um explorador do continente africano. Serpa Pinto (1846-1900) iniciou em 1877, com Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, uma expedição ao centro de África para estudar a hidrografia dos rios Congo, Zambeze e Cuango.
O desejo de atravessar o continente africano levou-o a separar-se dos companheiros, e a atingir o Rio Zambeze em 1878, completando a travessia em 1879. A expedição contribuiu para o prestígio internacional de Portugal, e o relato da aventura foi publicado, pelo próprio, com o título “Como Eu Atravessei a África”.
Esteve na Madeira pelos anos de 1875, tendo feito parte do Batalhão de Caçadores n.º 12.Tal como outros exploradores, o seu nome está inscrito na toponímia do Funchal. A Rua Serpa Pinto situa-se entre a Rotunda do Infante e a Rua da Ponte de São Lázaro. Segundo Rui Santos, a designação anterior da Rua Serpa Pinto era Rua Nova da Conceição.
Na cidade de Câmara de Lobos, existe também a Rua Serpa Pinto, entre a Rua Nova da Praia e o Largo do Poço.
Outros exploradores são mencionados na toponímia funchalense, caso da Rua Hermenegildo Capelo –  da Calçada de São Lourenço até à Ribeira de São João (actual troço da avenida Arriaga (lado sul) entre a Calçada de São Lourenço e a Rotunda do Infante); Rua Roberto Ivens (ou Rua Ivens) – da Rua de São Francisco à Rua dos Aranhas.
A Rua Serpa Pinto antigamente…
Os exploradores Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens foram homenageados pela cidade do Funchal em 12 de Setembro de 1885, quando passaram pela Madeira.
Em sua memória, foram dados os seus nomes às ruas que ladeavam a norte e a sul o Jardim Municipal.
Todo este preâmbulo é para melhor nos situarmnos na história destas personagens que estiveram na Madeira.
Esta Rua teve uma padaria-pastelaria, duas agências de viagem, entre as quais a “Tempos Livres”, um restaurante, uma casa de bordados, residências e escritórios.
Hoje 95 % do comércio encerrou. Outras lojas estão devolutas em estado degradação; sobrevive um cabeleireiro, uim alojamento local e uma rent a car.
Em Junho de 2023 publicámos também que a emblemática Rua da Carreira tinha 41 edifícios devolutos. Não sendo esta uma realidade exclusiva do Funchal, mas que se verifica em todo o país, é porém de lamentar. Ficamos por aqui porque ainda há ruas no Funchal em pior situação.
Com tanta falta de habitação ou as leis mudam ou a “desertificação” do Funchal acentuar-se-á cada vez mais.

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