Viagem do presidente no avião da Tecnovia/Aeroclube continua a ter asas para voar

albuquerque1O Estepilha continua a ser confrontado com a novela da utilização do avião privado da Tecnovia /Aeroclube pelo presidente do Governo Regional, na viagem que fez recentemente ao Porto Santo.

O esclarecimento de Rui Abreu de que o serviço foi faturado pelo Governo ao Aeroclube não convence. Os leitores reagem e fazem saber que a realidade é outra e que, se houve pagamento, não bate a bota com a perdigota. Faturar ao Aeroclube pela viagem é ilegal porque colide com os seus Estatutos.

Novamente contactado pelo FN, Rui Abreu insiste que o presidente foi a serviço oficial ao Porto Santo e que o Governo passou fatura ao Aeroclube. E precisa: “A Tecnovia fez um contrato de exploração/cedência com o Aeroclube”. Também afirma que o avião está autorizado a transportar passageiros, não sendo apenas reservado à instrução. O chefe de gabinete de Albuquerque diz não compreender a polémica quando, por exemplo, a leste da Ilha, em Machico, se dá o insólito das chamadas “Primárias”, com o presidente da Câmara de Machico e o pároco Manuel Martins a aparecerem na comunicação social, com publicidade paga, a rubricarem a candidatura de Luís Delgado, derrotado ontem nas eleições da Santa Casa da Misericórdia de Machico. Curiosamente, sobre isso, ninguém fala…

O Estepilha nada percebe de aeronáutica, muito menos aplicada à política regional e empresarial. Das duas uma: ou Miguel Albuquerque está a aprender a pilotar, e isto é instrução, ou então foi convidado por alguém no âmbito de um qualquer voo de instrução e aproveitou a boleia para participar no almoço de Natal dos funcionários públicos do Porto Santo.

O Estepilha constata que este assunto tem asas para voar. E reproduz apenas uma das cartas que os leitores nos têm feito chegar, nos últimos dois dias, acompanhadas de documentos que o Estepilha guarda para memória futura.

“O avião Reims-Cessna FTB337G Super Skymaster, matricula CS-DIT, CN:337-0025, estava há muito tempo avariado no Continente, em Santarém. Alguns associados do Aeroclube da Madeira, com o apoio da Tecnovia, compraram e mandaram recuperar. Esta é a versão simpática.

A verdadeira versão é que a proprietária da aeronave é a Tecnovia que aluga ao Aeroclube da Madeira através de um protocolo de utilização/exploração. O Aeroclube não tem dinheiro e nem tem fins lucrativos. A Tecnovia patrocinou e entregou ao ACM para operar e ficar ao serviço da Tecnovia. É um avião que pode ir até Marrocos. O proprietário do avião pode ser comprovado pelo RAN (Registo Aeronáutico Nacional) do departamento de publicações do INAC.

O logotipo no avião é indicado como patrocínio mas na verdade identifica o dono. Está dissimulado e porquê? A Tecnovia tem licença para operar aviões? Não! O Aeroclube da Madeira tem licença para transportar passageiros? Não! Só tem licença para fazer voos de instrução e de lazer com os associados.
O busílis é este: os Srs Miguel Albuquerque e Miguel Silva (na foto) poderiam ter ido no  avião,  na qualidade de amigos do piloto do ACM que, postou a notícia, e ninguém tinha nada com isso, mas não podia ser faturado! Por isso, a justificação do Sr. Rui Abreu ao FN cai por terra, ou melhor, se o Aeroclube da Madeira faturar é ilegal. Se o  ACM faturasse ao Governo , este deveria cair-lhe em cima por ser ilegal. Basta consultar os Estatutos dos Aeroclube.

Sem pensar muito, estamos perante um pedido/ordem que o presidente do GR deu ao eng.  Rezende, administrador da Tecnovia, e este ordenou ao Aeroclube da Madeira para que fizesse o serviço no âmbito do ato de patrocínio/doação/empréstimo do avião ao Aeroclube.

Tudo isto vem confirmar que a “Via Técnica”, do eng.º Rezende, está a ganhar com o governo. É ver a quantidade dos concursos ganhos ultimamente. E virá proximamente outro contributo, um acordo para a localização de cardumes de atum… Mas vão faturar como?

O avião em questão continua a fazer manutenção em Santarém que tem naturalmente de ser paga. Certamente que o pagamento não sairá do bolso do Aeroclube que não tem dinheiro.”

 


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