Jardim diz que margem de Passos já acabou

Portugal - Madeira Island: Alberto João Jardim presents the finantial adjustment programme for the island
Jardim diz que solução a Passos Coelho não pode passar pelas “carinhas habituais”

Alberto João Jardim, ex-presidente do Governo Regional, considera que o modelo Passos Coelho está esgotado e não alinha pela classificação de “geringonça” a este Governo de António Costa, considerando “um termo infeliz”, na medida em que é um governo legítimo.

Em entrevista ao jornal PÚBLICO, Jardim considera importante Passos Coelho deixar de estar agarrado ao lugar e permitir uma solução que traga o PSD novamente à social democracia. “Digo isto fundamentado no finca-pé que ele continua a fazer que as políticas dele eram sociais-democratas, quando eram na verdade tecnocratas e conservadoras impostas pelas instituições estrangeiras e que fizeram de nós um protectorado”.

Há uma enorme vaga ao centro

Para o ex-governante “o facto do governo socialista assentar em apoio parlamentar comunista e o facto do Dr. Passos Coelho ter arrastado o PSD para a direita, deixou uma enorme vaga no centro favorecendo o aparecimento de coisas novas”.

Admitindo não ter votado no PSD, nas legislativas nacionais, Jardim garante também que não votou nos outros, mas reconhece claramente o divórcio com Passos Coelho, por razões nacionais por razões regionais. “Existe de facto uma questão pessoal entre nós. Foi incorrecto comigo, mas isso não conta para efeitos políticos. Ele, inclusivamente, como líder da oposição, deu uma imagem ineficiente e sobretudo infeliz nas opções de combate, de confronto político com o Governo”.

Solução fora das carinhas habituais

Reconhecendo que o CDS fez melhor a transição – “até nesta esparrela o Dr. Passos Coelho caíu, enquanto o CDS deu aquela impressão de que não tem nada a ver com o que se passou antes” – e que “Portas já foi à vida e o PSD não”, Jardim tem o cuidado nas declarações quando o jornalista do PÚBLICO fala em alternativa para a liderança de Passos:

– Mesmo que visse não dizia. Não me meto nisso nem falo em nomes. A solução não pode ser encontrada nas “carinhas habituais”.

Falando de Rui Rio ou de Alberto João Jardim, fica mais claro quando diz que “somos ambos carinhas habituais”, dizendo mesmo que, aos 73 anos de idade e “esta coisa que tenho de não trabalhar meio dia”, garante-lhe uma “uma alegria infantil em sentir-me fora dessa missão”.

É um governo socialista

Relativamente ao governo de António Costa, afirma ser infeliz classificar o mesmo de “geringonça”, uma vez que “é um governo legítimo, constitucional…Reconheço que houve uma descrispação da sociedade portuguesa e reconheço que, apesar de sobreviver com os votos tanto do Bloco de Esquerda como do Partido Comunista, é claramente um governo do Partido Socialista. Não se nota, não se sente, que qualquer das formações comunistas tenha tido grande influência no correr da vida pública portuguesa. Isso é uma habilidade do Dr. Costa.”.

Esta solução, na perspetiva de Jardim “é um castigo para o comportamento do Dr. Passos Coelho”.

Nesta entrevista ao PÚBLICO, como explica o jornalista logo no início, Jardim “não fala sobre a Madeira”