Falhámos na construção do plantel, admite Rui Alves

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Rui Alves diz que conta com esta liderança técnica de Manuel Machado para dar a volta à situação atual do Nacional.

O Clube Desportivo Nacional assinala esta quinta-feira mais um aniversário, o 106º, num contexto futebolístico de grandes dificuldades, como há muito não era vivido. Para um clube com as caraterísticas do Nacional, que obviamente não é só futebol enquanto coletividade, comemorar esta data com o futebol em baixa, não deixa de colocar algum condicionalismo e apreensão junto dos adeptos, que naturalmente aspiravam a outros voos, seguindo o exemplo do que aconteceu nos últimos anos, inclusive com apuramentos para competições europeias.

Rui Alves, o presidente, tem um historial de sucessos e empreendeu as mudanças que colocaram o Nacional num patamar diferente. Mas o treinador, Manuel Machado, também tem história no clube, com sucessos que lhe garantiam, à partida, um capital do qual poucos duvidavam. Só que a “receita” não está a resultar como pretendiam os responsáveis e muito terá logicamente de ser equacionado.

Há coisas inexplicáveis

Rui Alves considera que há coisas que são inexplicáveis, sobretudo em relação às expetativas relativamente ao plantel que temos. Aquilo que temos que dizer aos sócios é que estamos muito abaixo do que perspetivavamos. Temos que assumir que falharam algumas coisas, nomeadamente que porventura alguns atletas não têm correspondido aquilo que pensámos. Aliado a isso, a sucessão de resultados negativos naturalmente que provoca ciclos negativos do ponto de vista da prestação, até pelas consequências psicoemocionais, que afetam o coletivo. De forma responsável, devemos dizer que falhámos na construção do plantel e portanto há que aguardar que, de algum modo, a parte emocional se resolva e um bom resultado até pode ajudar, e com o trabalho de todos em prol da equipa”.

Dois ou três jogadores em janeiro

O presidente nacionalista admite que o mercado de inverno, a abrir em janeiro, possa de alguma forma constituir um momento chave para a viragem da equipa de futebol, com eventuais mudanças que permitam inverter este ciclo menos bom, que neste momento faz com o Nacional ocupe a última posição da tabela.

Nacional X BK Hacken da Suécia
Aquilo que Rui Alves vai dizer aos sócios é que falhou a construção do plantel.

Rui Alves não tem dúvidas que em janeiro é importante pelos jogos que temos e mudança de volta na Liga, além da abertura de mercado onde teremos que encontrar soluções, de forma cirúrgica e sem possibilidade de erro, com dois ou três jogadores que nos permitam aumentar a nossa capacidade competitiva. Estamos preocupados com isso, temos que procurar. Sabemos que no futebol a qualidade é cara, mas estamos focados nesta questão.

Dar a volta com esta liderança

Sobre a posição do treinador Manuel Machado, Rui Alves não é claro numa eventual decisão que possa, de algum modo, levar à mudança de técnico, embora diga que há confiança. Diz que “todos os que desempenham cargos no futebol estão sempre sob análise, estão os jogadores, está o treinador, está o presidente. Neste momento, achamos que é com esta liderança técnica que vamos dar a volta, com sentido de unidade. Mas obviamente, nada na vida e no futebol, que sobretudo vive de momentos, é definitivo e não posso garantir em absoluto que desta água não beberei”.

Seis meses de atraso

Relativamente à componente financeira, Rui Alves reagiu ao facto do presidente do Governo ter afirmado, recentemente, que os clubes recebem menos mas sabem com o que contam, sendo melhor receber menos mas receber do que receber muito e estar em atraso, referindo que os apoios estão em dia:

– Há que separar as coisas. Se tecnicamente considerarmos que não há contratos e, por via disso, não há atrasos de contratos que não estão assinados, de forma técnica o presidente do Governo falou bem. Se considerarmos que estamos em dezembro e ainda não assinámos o contrato de financiamento público ao futebol profissional, que iniciou a época em julho, estamos a falar de seis meses de atraso. Tecnicamente falou bem, mas a verdade é que vivemos desde 2012 com uma média de atrasos, não técnicos, mas de contratos. Os contratos deveriam ser assinados em junho para o governo pagar em julho e fazer face a despesas com salários, segurança social, impostos. Desse ponto de vista, são 6 meses em atraso, a juntar aos cortes ocorridos em 2011 e que criaram problemas aos clubes.

Reduzir apoios não é racional

Num contexto de apoios ao futebol, e numa fase em que as equipas madeirenses estão claramente em baixa, os detratores desses mesmos apoios não poderão reequacionar a discussão sobre a possibilidade, por racionalização de meios, de voltar à avaliação sobre o clube único’?

Rui Alves diz que a questão parece de um equívoco e considera que é precisamente o contrário. “Não é racional a redução dos apoios, uma vez que esta faz diminuir a competitividade das equipas e afasta-as dos lugares cimeiros e impede uma prestação mais elevada, levando à redução das receitas das instituições, nomeadamente os direitos televisivos. Além disso, o retorno em sede fiscal é muito menor”.

Por isso, o líder nacionalista diz que se não tivessem existido cortes nos apoios, porque os clubes já receberam o dobro do que hoje recebem, “se calhar estávamos a ter um retorno muito superior e o resultado para a Região seria superior se não existissem cortes. Alguma comunicação social ainda não percebeu ou nunca vai perceber”.

Quanto ao clube único, afirma que há várias maneiras de chegar lá: “Há várias maneiras em que não se criam condições para a existência de mais do que um clube, até por discriminação em relação a um determinado clube. Não faz sentido falar de clube único e mesmo quando se discutiu essa questão, estávamos perante a criação de um projeto regional mas os clubes continuavam enquanto tal. Não me parece que faça sentido essa discussão.

O Nacional assinala o seu aniversário com um jantar, no Pestana Casino Park, pelas 20 horas desta quinta-feira. O próximo jogo da I Liga é determinante uma vez que acontece com o Tondela, o penúltimo classificado com 9 pontos, mais um do que o clube madeirense. O jogo é no domingo, dia 11 de dezembro, pelas 16 horas na Choupana.