Iluminações de Natal acenderam-se no Funchal, e alegram a urbe… mas deixam a desejar

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*Com Rui Marote

As iluminações de Natal acenderam hoje no Funchal. E já se podem ver os efeitos que tornam a nossa urbe mais bonita na quadra natalina. No entanto, e sem querermos ser excessivamente críticos, alguns deles perderam grandiosidade, nomeadamente pela substituição das antigas grandes lâmpadas por outras bem mais pequeninas, tipo gambiarra. Ou seja, a iluminação mais característica, aquela em que fios carregados de lâmpadas como que trepam pelos ramos das árvores acima, iluminando-as, apesar de continuar bonita, perdeu impacto. É assim na Rua João de Deus, na Avenida Zarco, etc.

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Onde as antigas lâmpadas brilham ainda com mais intensidade é nos Paços do Concelho do Funchal e no Museu de Arte Sacra, fazendo um bonito efeito, se bem que exclusivamente de luzes brancas. As luzes desta cor abundam também na placa central, junto ao Teatro Municipal Baltazar Dias. Uma opção aceitável e até bela, mas monocolor.

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Por outro lado, hoje ao cair da noite, as iluminações foram-se acendendo de forma pouco uniforme: enquanto um lado da rua, por exemplo, na Avenida do Infante tinha já acesas as luzes nas árvores, outro apresentava segmentos às escuras. Assim era também em diversas outras artérias da cidade, mas há que registar que os trabalhadores labutavam arduamente, sobre as suas escadas em vários pontos da cidade, para regularizar a situação.

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Áreas como a Praça do Povo iluminaram-se de súbito com uma bela árvore de Natal, bem alta e digna de registo. Também os efeitos natalícios na Rua Fernão de Ornelas ficaram bonitos. Já outras zonas encontravam-se hoje ao princípio da noite bastante despidas, como a Rua do Aljube ou a Rua 31 de Janeiro e 5 de Outubro, onde as obras na ribeira parecem uma ferida aberta, sulcando o Funchal de alto a baixo.

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Demos o benefício da dúvida e esperámos até às 10 horas para finalizar este texto. A essa hora, percorremos de novo as principais ruas do Funchal.

Constatámos que, sem sombra de dúvida, as iluminações este ano estão significativamente mais fracas que no passado. Na Estrada Monumental, a iluminação apresenta-se quase exclusivamente nas árvores e com as lâmpadas pequenas, ainda por cima semeadas de múltiplos”retalhos”, ou seja, como que enxertos de uma cor numa árvore onde a “gambiarra” é maioritariamente de outra cor.

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A Rua do Aljube, antiga artéria de comércio onde as iluminações eram da máxima grandeza, apresenta-se pobremente iluminada. Alguns enfeites aceitáveis, sim, mas nada de extraordinário. Nota positiva, porém, para a zona do Largo do Chafariz, onde um tecto de pequenas e múltiplas”estrelas cadentes” proporciona um efeito engraçado. Mas a escuridão prevalece. Os beirais dos telhados deixaram de ser iluminados. E as críticas dos comerciantes da artéria, veiculadas pelo FN e que até deram direito a uma resposta da Secretaria do Turismo, tinham de facto razão de ser: aquela rua perdeu brilho.

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O ano passado, os responsáveis pelas iluminações natalícias tiveram a desculpa das mesmas serem mais tarde devido ao concurso público. Este ano, pelo contrário, houve tempo para programar. Por outro lado, este ano fomos penalizado com a não electrificação das ribeiras devido às obras.

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Há ainda ruas emblemáticas do centro fortemente carecidas de decoração, casos da Rua de João Tavira, de grande parte da Rua da Carreira, Rua das Pretas, Rua dos Ferreiros, Rua do Bispo, Rua das Murças, Rua dos Capelistas, Rua 5 de Outubro…

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Algumas decorações são uma cópia do ano transacto, casos do cais, da CMF, do Museu de Arte Sacra.
Definitivamente, o ponto alto é a Praça do Povo, que tem uma belíssima árvore, que merece aplauso. A Pontinha tem um letreiro, a Assembleia tem uma nova cara… Quanto ao restante, mantém-se praticamente igual ao ano passado. Novidade é a Praça Amarela.
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 A grande novidade foi a retirada de todos os mastros de ferro que suportavam as estruturas de iluminação.
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Conclusão: continuamos com uma cidade excessivamente escura, em relação ao passado e ao “tempo das vacas gordas”.
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A grande animação situa-se, para além da Praça do Povo, na placa central, junto ao Turismo. O presépio de João Egídio e a “aldeia” funciona bem. Mas somos do tempo das luzes nas árvores, grandes e multicoloridas, que se espalhavam por toda a cidade, à semelhança da Avenida Zarco ou da Rua João de Deus. Um cartaz de extraordinária beleza, que, nos anos 80,  até motivou contactos para irem electricistas da Madeira para Nova Iorque, para instalarem essas iluminações em certos sítios… Caso que até deu bastante que rir, na altura, ao pensar-se na quantidade de cartazes luminosos que existem na “cidade que nunca dorme” e na extravagância de “exportar” electricistas madeirenses para lá para mostrar como se iluminavam as árvores… Mas o certo é que durante muito tempo fez-se tal na Madeira, e fez-se bem, com belas e grandes lâmpadas, não com as fracas “gambiarras” de agora.
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Hoje copia-se mal, através de catálogo, o que se faz lá fora, e quando vamos a constatar, o efeito não é exactamente o desejado.
Para quem muito criticava os efeitos decorativos da escultora Manuela Aranha, muitos serão, hoje em dia, os saudosos dos trabalhos desta criadora, na decoração das ruas do Funchal na quadra de Natal… Os novos tempos não são de molde a dar muitos entusiasmos.