O artista plástico Eurico Santos apresenta na Casa da Cultura de Santa Cruz (Quinta do Revoredo) uma exposição de aguarelas de sua autoria. Eurico Paulo Caires dos Santos nasceu em Gaula, em 1978, e licenciou-se em Escultura em 2000, concluindo o Curso de Artes Plásticas/ Escultura do Instituto Superior de Arte e Design da Madeira (ISAD). É docente há 15 anos na Região.
Esta mostra inclui 50 pinturas realizadas entre os anos de 2012 e 2016.
O conjunto destes trabalhos não segue um tema ou linguagem comum; são o resultado de experiências livres na procura de um processo criativo e de uma linguagem pessoal, refere o artista.
“Ainda que esta mostra seja quase exclusivamente de aguarelas, pareceu-me pertinente apresentar uma escultura (Título: Le Temps). Apresenta-se num contexto idêntico ao da criação do restante corpo de trabalho, sendo distinta apenas por ser construída noutro tipo de materiais e técnicas de trabalho”, refere o criador.
A composição tridimensional é constituída por três materiais distintos, a madeira de castanheiro, o bronze e o latão.
Sobre esta exposição, escreve Carlos Valente, artista plástico e docente da Universidade da Madeira: “Nesta sua primeira exposição individual, Eurico oferece-nos a fluidez própria da forma e dos pigmentos que desenham as suas proto-histórias, alojadas no vestígio aquoso da técnica usada: a aguarela. A procura de uma iconografia pessoal, ora mais intimista ora mais universal e até panteísta, por vezes, é encetada a partir da introspeção. Vislumbra-se um subtil diálogo entre obras mais melancólicas, tocando no lado mais obscuro dos sentimentos humanos, e outras mais frescas, de uma pureza expressiva e de um cunho experimental que nos leva, por um lado, ao modernismo poético e formalista de um Paul Klee, (sem colar-se ao minimalismo compositivo deste último) e, por outro, nos remete para a milenar pintura oriental sumi-e, (em Eurico, cromaticamente mais rica).
O processo técnico, claramente apreendido e dominado, permite-nos apreciar aquilo que a aguarela tem de melhor: o vestígio da relação pensada e controlada entre o líquido e o papel. Mas também a espontaneidade da luta, ou do jogo, entre o acaso e os elementos (quer os temáticos, quer os matéricos: pigmento e suporte). São interessantes as combinações de aguada com um grafismo mais marcado, em várias das pinturas-desenho apresentadas.
Árvore, homem, natureza, humano, vida. O tempo, que é a vida em si, subjaz a um exercício de catarsis (ma non troppo) que combina o bucolismo, o simbolismo e um certo misticismo, modernizado e atual, claramente influenciado pelo contacto com o bom desenho (e os temas) de alguns criadores de BD.
Rostos assumidos ou dissimulados. São autorretratos meditativos, alguns. Osmoses e intercâmbios, de exterior para interior (e vice-versa), fazem das imagens de Eurico um coeso conjunto cromático e formal, cheio de equilíbrios, de harmonias em potência, quer já encontradas quer somente desejadas. O artista procura a sua forma expressiva essencial através de uma técnica milenar mas que se afigura sempre atual, quando a reconhecemos artisticamente singular”.
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