Na Índia, engomadeiro é profissão de rua

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Rui Marote (texto e fotos)

Na Madeira, esta foi uma profissão que ate os anos oitenta fez história. Era as mulheres que se ocupavam dessa tarefa, sendo algumas trabalhadoras das casa de bordados. Era uma profissão violenta e cansativa, uma vez que passavam horas de pé, movimentando constantemente o braço. Não é fácil engomar uma toalha de bordado Madeira, requer imensos cuidados e não é fácil suportar o calor do ferro de engomar durante todo o dia.

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Com a invenção do ferro eléctrico e sua progressiva chegada à Madeira, a engomadeira deixou de preparar as brasas e o peso do ferro, que se cifrava em alguns quilos, diminuiu. Hoje vende-se uma toalha de bordado Madeira e o cliente não recebe qualquer explicação sobre como a lavar e engomar. Nos anos 50 do século XX, com os madeirenses que emigraram para o Brasil, entre os quais desenhadores e estampadeiras, as engomadeiras deram continuidade a esta profissão em terras de Vera Cruz. As toalhas de sala jantar de dimensões enormíssimas que estão em Brasília. na sala do Palácio do Planalto, foram bordadas e desenhadas por madeirenses.
Hoje são poucas as mulheres que sabem passar a ferro. A transmissão das habilidades da tarefa de mães para filhas praticamente deixou de existir, e encontrar uma mulher para engomar não é tarefa fácil. Uma das condições que colocam algumas empregadas domésticas é de que tratam do arranjo da casa, da cozinha e lavam a roupa, mas excluem passar a ferro. Os materiais são outros e há muita roupa que não necessita de efectuar essa tarefa.

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Aqui na Índia ,esta profissão é executada por homens que vagueiam nas ruas de porta em porta em busca de roupas que seja preciso passar a ferro. As fotos documentam o aparato do mesão que se desloca através de duas rodas nas ruas. O ferro, esse continua do tempo dos “fenícios”. Aqui a empresa eléctrica não cobra energia. É mais uma dura forma de subsistir num país onde é grande o fosso entre ricos e pobres.

FOTOJORNALISTA_VIAGENS_(FN)