Descoordenação no combate aos incêndios recentes em debate na Assembleia

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Os incêndios que assolaram recentemente a Madeira estão hoje no centro do debate potestativo convocado pelo CDS. E os trabalhos desta manhã prometem em polémica. O deputado Rui Barreto abriu as “hostilidades” com uma intervenção na qual começou por invocar, como motivo mais que suficiente para o debate, a cronologia dos quatro grandes incêndios dos últimos seis anos, em 2010, 2012, 2013 e 2016. O CDS questiona se “aprendemos alguma coisa”.
Acusando a situação das serras de ser de “abandono, inércia governativa e laxismo”, com troncos queimados na serra que nunca foram removidos, detritos vegetais amontoados e a mata a invadir as bermas das estradas, Barreto denunciou a sucessiva verificação de incêndios para afirmar que “há um clima de medo” em torno de catástrofes naturais, tanto das enchentes causadas pelas chuvas torrenciais, como dos fogos.
“Temos de cortar este medo e devolver às populações um clima de confiança e tranquilidade“, exortou.
Apesar de todas as medidas tomadas, apontou o deputado, não há uma regressão das áreas ardidas. Pelo contrário, os incêndios são cada vez mais violentos e devastadores. Há a lamentar perda de vidas, casas e bens essenciais.
O CDS entende, pois, que urge analisar e avaliar os planos, os meios e a coordenação de que a Região dispõe. O partido diz que não quer apontar culpados, pois, “se os há, a população que nos elege já os tem identificados”.
Houve, afirmou o deputado, atropelos e dessintonias que jamais devem repetir-se. “Chegámos a assistir a conferências de imprensa da CMF e do governo regional à mesma hora mas realizadas em separado”. E anúncios de que a situação estava controlada “quando se sabia que as condições meteorológicas eram altamente adversas e desfavoráveis”. Por tudo isto, há uma série de questões que devem ser analisadas e levantadas, quanto à actuação da Protecção Civil, e quanto aos meios disponíveis para o combate aos fogos, que há que ver se são os adequados.
Meios aéreos são outra questão a equacionar, bem como o orçamento anual para os Bombeiros e Protecção Civil, a limpeza das serras, o combate às espécies infestantes, a reconversão florestal.
“Há que ter coragem política para encetar um novo desígnio em relação ao ordenamento e planeamento do território”, até pelo carácter turístico da nossa economia da Região.
Por outro lado, o realojamento das populações está quase concluída, mas há que disponibilizar às vítimas um acompanhamento mais presente e próximo. “A falta de assistentes sociais foi uma falha notada”, acusou.
Rui Barreto voltou a dizer que a política é uma trampa quando não resolve os problemas das populações. “Li que estão garantidos do governo da República 80 milhões de euros para ajudar na reconstrução. Mas o governo regional diz que não tem conhecimento desses valores”.
Para o CDS, exige-se que o governo da República cumpra com as promessas feitas na Madeira pelo primeiro-ministro. É fundamental uma clarificação dos valores disponíveis e quem os coordenada, apelam os centristas. Por isso, fazia sentido a criação de um gabinete de reconstrução que envolvesse o governo e os municípios afectados, mas também equipas multidisciplinares e diversas instituições.
“Tenhamos a determinação e a humildade para encarar estas tragédias como uma oportunidade para promover um desenvolvimento mais ecológico e gerador de novos empregos”, apelou Barreto.