Crónica Urbana: Estranho silêncio com a saída dos escritórios da TAP da Região

emigrante

Rui Marote

Não resisti a este interregno. Estou no Aeroporto de Lisboa, para efectuar o check-in com destino a Munique/Bombaim. A minha consciência alerta-me: não deixes para amanhã o que podes fazer hoje. Toca a escrever uma crónica. Faltam 26 dias para o encerramento da TAP da Madeira. O Funchal Notícias alertou, o Governo Regional não moveu uma palha. A companhia aérea de bandeira do nosso país deixa de estar representada numa parcela do território, neste caso, a Região Autónoma da Madeira. O secretário da tutela, ausente da Região, preocupa-se com o charter da América. Não resolveu o navio ferry, e o cargueiro aéreo abortou. Os governantes esquecem-se que o Estado é sócio maioritário da TAP. Alguém pediu explicações? Os partidos da oposição representados na Assembleia Regional nada disseram, e regressam de férias mais cansados que à partida. Quando as consequências deste grave problema surgirem, o problema estará consumado. Só nos restará colocar as mãos na cabeça como o macaco. E agora? Voltamos ao charter da América: que eu saiba, só houve um até aos nossos dias. Vou recordar: na inauguração do aumento da pista do aeroporto, o sonho desfez-se à chegada do emigrante, que, envergando nas costas uma bandeira americana, desceu as escadas do avião, ajoelhou-se e beijou o alcatrão da placa de estacionamento. Registei esse momento, cuja foto o Funchal Notícias pela segunda vez apresenta. Foi uma inauguração que ficou nos anais da História da Madeira. Da África do Sul, a TAP, com o seu A340, efectuava o voo Joanesburgo-Madeira, e transportou o líder dos zulus, Buthelezi, como convidado. Do Brasil, outro A340, directo; de Caracas, na Venezuela, um A350. Mas o sonho acabou rapidamente, para até hoje jamais voltar. Somente a Venezuela manteve-se com os voos de ida e volta a Caracas, estando no entanto esta escala há muito cancelada. Na África do Sul, os madeirenses chegaram a acreditar, mas a realidade é que a TAP deixou de voar para aquelas paragens meridionais já lá vão uns bons anos. O presidente da TAP, na sua última visita à Madeira, vincou que a linha era deficitária. Voltámos a insistir, dizendo que não acreditávamos. Como é possível que a Iberia, não sendo Star Alliance, esteja a efectuar voos Joanesburgo/Madrid/Funchal duas vezes por semana a preços convidativos, mercado esse que a TAP jamais recuperará? Nos últimos tempos, a transportadora portuguesa abriu novas rotas. Algumas, entretanto, já estão encerradas, verdadeiros tiros no pé: Estónia, Panamá, Bogotá, Manaus. Quanto ao charter americano, não passa dum sonho madeirense. Os americanos não estão interessados em efectuar um voo para conhecer a Madeira. Os madeirenses esquecem-se de que eles têm o Havai, Miami, Porto Rico, as Bahamas e agora Cuba, e ainda outras ilhas das Caraíbas. Houve alturas em que os americanos que vinham à Europa incluíam, alguns deles, no seu percurso a Madeira e Marrocos. Mas isso tornou-se inviável, com as ligações Lisboa/Funchal. Hoje temos a SATA, que tem esse mercado do Canadá –  e de Boston, que está a quatro horas e trinta de Ponta Delgada, dos Açores, e a emigração açoriana nos EUA bate o recorde de todas as outras comunidades.

A deslocação de Miguel Albuquerque à África do Sul teve um senão: recordemos que levou o Banif, mas dois meses depois o banco madeirense caiu na desgraça e foi engolido pelo Santander. Os emigrantes não esquecem. Agora temos o charter. Não querendo ser pessimista, não chegará a levantar voo… É sempre óptimo levar empresários à boleia do presidente do Governo. Será que imobiliárias e construtoras são a chave do sucesso destas deslocações?

Ultimamente temos assistido à presença de um dos proprietários do Correio de Caracas, e conselheiro das comunidades, a acompanhar Albuquerque nestas deslocações. Será que Aleixo procura sócios para a compra do JM como projecto a ser integrado nas comunidades…? A próxima deslocação de Albuquerque deverá ser este ano, aos Emirados Árabes, mais precisamente ao Dubai. Aqui é outra música. Por causa do Vinho Madeira não é com certeza… porque naquelas paragens o álcool é produto proibido…