Por analogia, tomemos o “organismo” pelo país, e os eletrões pelos colaboradores/lambe-botas associados das moléculas Schauble/ Merkel/FMI/Juncker/Lagarde, com as quais se deu reação “química”. Resultado lógico da experiência: os danos (conhecidos, mas ainda não devidamente analisados) causados às “células saudáveis” de Portugal. Recorde-se, para efeitos de memória passada, presente e futura que o governo-relâmpago PàF, (quase tão instantâneo a assumir/abandonar o poder como Usain Bolt a correr os 100 metros planos, a governação meteórica de Santana Lopes ou a fuga da “tanga” de Durão Barroso) andou 4 anos e meio a praticar um ultra-neoliberalismo radical e extremista sem par, desejando mesmo que o andor fosse além da Troika, para vir agora de “Megafone”, debaixo dos holofotes mediáticos, acusar a atual governação, e partidos que a sustentam, de radicalismo e extremismo. Assim de repente, não me ocorre outro chapéu que melhor se ajuste à “cabeça perdida” desta oposição ressabiada e mal-amada que a de “radical livre”. Os partidos hoje na oposição, esses sim, depois de protagonizarem a ação governativa mais radical e extremista que se conheceu depois do 25 de abril, adotaram um estratagema muitíssimo (chamemos-lhe “coerente”) de ataque aos partidos que apoiam o atual governo, se bem que o raquítico argumentário seja por demais falseado e estafado, sendo mesmo mais auto-crítico que hetero, a ponto de revelar-se mais inofensivo, quanto à eficácia ou eficiência políticas, que um “ameaçador” caniche. A pobreza franciscana dos discursos apocalípticos de Passos Coelho, e as profecias nostradâmicas das Santas dos últimos dias de Assunção Cristas resumem-se a termos como “extrema-esquerda”, “radicais de extrema-esquerda” ou, tentando meter tudo numa espécie de “saco de gatos” (com perdão do PAN), “Geringonça”, que é tão-só o antónimo de “Caranguejola” ou, dito de forma, a tentativa simplista de alguns de extremar, em vernáculo, “esquerdalhos” versus “direitolas”. Afinal, que melhor exemplo de átomos ou moléculas extremamente/radicalmente reativos e instáveis que os “mercados”, “agências de rating” ou que os bancos cavaquistamente, ou carloscostamente, ditos “sólidos”. As primeiras estão sempre “à beira de um ataque de nervos”; as segundas especializaram-se em certificação de lixo/reciclagem e reaproveitamento do mesmo, conforme as conveniências e ETARES dos seus especulativos e criminosos interesses. É curioso que as máfias (como ocorreu primeiramente em Chicago e, mais recentemente, em Nápoles) viram no lixo um negócio muito rentável! Diz-nos ainda qualquer entrada do dicionário que radical é todo aquele que é inflexível ou intransigente nas ideias ou atitudes, ou ainda, pessoa que não muda de opinião, conservadora ou autoritária nos seus princípios. Posto isto, pergunta-se: quem será mais facilmente compatível com esta singela definição? A coligação de má memória, que durante 4 anos e meio aumentou as desigualdades, devastou a classe média, vendeu os anéis e dedos da Pátria, diagnosticou e destratou aqueles a quem chamou “peste grisalha”, insultou os portugueses, em “empobrecimento lícito”, como “piegas”, engrossou a emigração jovem e qualificada a níveis só com paralelo nos anos sessenta (promovendo, depois, o anedótico programa “Volte”, para dois ou três recém-emigrados), retirou a única habitação a tantas famílias por dívidas ridículas, contribuiu para o aumento exponencial do desemprego e da precariedade, ou será mais verosímil definir como radical e extremista a atual governação e os partidos que a apoiam, com discordâncias e marcadas divisões, é verdade, mas que, apesar das diferenças, tem promovido o diálogo e plataformas de entendimento, procurando cumprir com as exigências dos “radicais livres” da Europa, sem embargo de acautelar as “células”, ainda saudáveis, de um “organismo”, ainda com “anticorpos”, que se quer vivo e senhor do seu destino, e que ainda se chama Portugal, apesar do estrebuchar e da gritaria dos Miguéis de Vasconcelos que encontramos quase de cada vez que se levanta uma pedra solta na calçada? |
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