Madeirense deverá integrar tripulação portuguesa na Extreme Sailing Series do Funchal

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Moreira Rato, da organização da equipa portuguesa, não quis adiantar quem poderá ser o velejador, mas o FN aposta em João Rodrigues…

Fotos DR

A etapa da Extreme Sailing Series que se realizará na Madeira, protagonizada por catamarãs GC32 com foils, será um momento único e especial, que muito atrairá os espectadores, promete Rodrigo Moreira Rato, um dos responsáveis da organização, nomeadamente da equipa portuguesa Sail Portugal – -Visit Madeira. Segundo revelou o mesmo ao FN, a prova terá lugar na frente de mar do Funchal, mesmo dentro do porto, e bem próximo dos espectadores. Haverá bancadas nas quais os mesmos se poderão instalar e assistir a estas regatas dos catamarãs, que atingem grandes velocidades e levantam da água, praticamente planando sobre ela.

No Funchal, deverão estar sete a oito equipas em competição, naquela que será a sexta etapa desta competição. Conforme revelou antecipadamente o FN, a mesma deveria, em princípio, realizar-se em Istambul, mas as equipas não quiseram ir para a Turquia, dado o actual clima de instabilidade que se vive naquele país, na sequência da recente tentativa de golpe de estado. A Madeira ‘chegou-se à frente’ e conseguiu receber esta etapa, sendo que, conforme noticiou o nosso jornal, a Associação Regional de Vela da Madeira recebeu 262 mil euros para organizar a regata que terá lugar no Funchal entre os próximos dias 22 e 25 de Setembro.

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Rodrigo Moreira Rato salienta o “grande entusiasmo” que a vinda à Madeira está a causar nos velejadores

À Madeira virão competir uma equipa portuguesa, uma suíça, uma dinamarquesa, uma do sultanato de Omã, uma equipa chinesa e outra austríaca. “A sétima equipa em princípio será americana, e a oitava, não tenho ainda a confirmação”, referiu o nosso interlocutor.

A Região acolhe a sexta etapa da Extreme Sailing Series após Muscat (Omã), Qingdao (China), Cardiff (País de Gales), Hamburgo (Alemanha), e São Petersburgo (Rússia). Seguir-se-á uma presença em Lisboa e depois na Austrália.

“Dois fins-de-semana depois do Funchal, o circuito vai a Lisboa, terminando em Dezembro em Sidney”, revelou Moreira Rato. “A competição na Austrália realiza-se no fim-de-semana de 12 e 13 de Dezembro, terminando a época”.

Explicando a dinâmica dos barcos, o entrevistado refere que os “foils são apêndices aerodinâmicos em formato de L, que permitem que o barco ‘descole’ da água, andando suspenso em três ‘lâminas’, ou pouco mais do que isso”. São embarcações muito velozes. “Este ano, em Cardiff, atingiu-se cerca de 35 nós, aproximadamente 70 quilómetros por hora em cima de água. E o recorde dos [catamarãs] GC32 penso que são 39 nós. “É muito! São barcos muito potentes e muito leves, o que os torna muito rápidos. O barco, ao entrar em foils, faz com o atrito da água seja mínimo, o que faz com que ganhem muita velocidade”, salienta.

Pelos números avançados, pode-se imaginar a adrenalina de uma competição destas. Mas a operacionalidade do porto do Funchal não sofrerá com a realização da mesma, sublinha Rodrigo Moreira Rato, que explica que “haverá o tráfego normal, tanto de navios de cruzeiro como de mercadorias ou de embarcações de recreio”.

“O campo de regatas”, esclarece, “será aberto e fechado em coordenação com as entidades marítimas competentes de modo a causar o mínimo incómodo à navegação comercial, indo ao encontro do melhor dos mundos… garantindo que as regatas se desenrolem com a máxima segurança”.

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Estas ‘corridas marítimas’ que quase se poderiam designar como uma espécie de ‘Fórmula 1’ da vela são, também elas, muito rápidas: “Demoram cerca de dez, doze minutos. São muito rápidas, portanto, entre regatas, quando necessário, as zonas de exclusão são abertas para que o tráfego normal possa circular, e depois são fechadas para que as regatas continuem”, diz este responsável.

“Por dia”, avança, “prevemos realizar entre seis a oito regatas. Serão montadas três bancadas para o público ver as regatas de muito perto”, promete. A entrada nas bancadas processar-se-á com entradas pagas, cujo valor não nos soube para já adiantar. E a capacidade das bancadas será, seguramente, de várias centenas de pessoas, ou mais.

“O conceito das Extreme Sailing Series é de ‘Stadium Racing’, são regatas em formato de estádio. E o que se pretende realmente é que sejam muito compactas e curtas, para que a maior parte das pessoas possa presenciar esse grande espectáculo que é a vela, e que geralmente decorre muito longe, onde não a vemos… Este é um conceito que é o inverso, é tudo muito perto e garante que as pessoas estejam próximas, a ver”, e assim envolvidas na acção.

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Foto facebook Sail Portugal

Obviamente, os velejadores que manejam estas embarcações têm de ser eles mesmo muito velozes e experientes. A equipa lusa é inteiramente constituída por portugueses. Não há entre eles, todavia, nenhum madeirense. As nacionalidades em presença nestas equipas são muitas – entre quinze a vinte, seguramente, responde Moreira Rato ao nosso jornal, quando inquirido sobre as mesmas.

Os catamarãs têm uma tripulação constituída por cinco pessoas, revela, sendo que cada equipa tem, geralmente, no mínimo, mais dois a três elementos.

“Nos barcos, um dos elementos vai ao leme, outro vai a regular e afinar a vela grande, situada na parte de trás do barco, outro regula a genoa, uma vela pequena situada na frente, outro ainda comanda os foils, e outro, ajuda nas manobras nas outras posições. Os foils funcionam com base no mesmo princípio da asa de um avião, têm um ângulo que, aberto, permite que o barco suba, e fechado permite que o barco desça”.

Mas as equipas contam ainda com outros elementos: há um responsável pela equipa de terra, o boat captain, a quem cumpre orientar e coordenar “toda a preparação e manutenção do barco”. Há outro elemento que tem a função de assessorar o primeiro. Mas estas pessoas são também velejadores experientes, que estão preparados para substituir qualquer um dos velejadores que formam a tripulação, caso algum deles tenha um qualquer problema físico que o impeça de competir. “Isso passou-se por exemplo na Rússia… uma das pessoas na nossa tripulação teve um problema numa vértebra, e foi substituída por um desses elementos”.

Depois, há um oitavo elemento – e Moreira Rato é esse elemento na equipa portuguesa – que é responsável por toda a parte de comunicação, relações públicas e imagem da equipa.

“Iremos anunciar mais uma posição aí na Madeira”, no caso da nossa equipa. Mais um elemento. “Isso será anunciado na sexta-feira, na Madeira”.

[Se tivéssemos de adivinhar, arriscaríamos o nome de João Rodrigues, o velejador olímpico português… Mas esta é apenas o nosso palpite, já que –Moreira Rato nada mais adiantou.]

“Estes barcos são muito técnicos, muito difíceis de manobrar. O que estamos a tentar fazer é dar oportunidade ao máximo possível de velejadores portugueses, independentemente da sua origem, de passarem pela equipa”, refere Moreira Rato. Muitas vezes, primeiro na equipa de terra, e depois, se houver oportunidade, de navegarem. “E certamente, e claramente, temos velejadores madeirenses no nosso radar”, admite. “Sobre esse caso, iremos adiantar mais qualquer coisa na sexta-feira, no Funchal”.

O dito elemento madeirense fará, efectivamente, parte da equipa em competição, em princípio. Tudo se conjuga, portanto, para que o nosso vaticínio se cumpra… “Mas a coisa não está ainda fechada, pelo que não posso adiantar um nome. Mas sim, dentro do possível, e desde que haja velejadores madeirenses habilitados ou preparados para navegar deste tipo de barco… A nossa equipa tem pessoas do Porto, de Aveiro, do Algarve, de Lisboa, de Cascais… não somos nada bairristas, a nossa preocupação é garantir as pessoas mais habilitadas para navegar neste tipo de barco, a nossa preocupação é que a equipa seja portuguesa, ou o mais portuguesa possível. Até Cardiff, navegámos com um espanhol ou com um neozelandês, por exemplo… A vela, hoje em dia, a este nível, é muito similar ao futebol. Procura-se os melhores elementos para cada posição. Por exemplo, há um português na equipa dinamarquesa, que é constituída por três dinamarqueses, um italiano e um português. E o patrocinador do barco é alemão”. Além do mais, é frequente, por exemplo, que na dita equipa saia de vez em quando um dinamarquês e entre um neozelandês… “Aqui, a questão tem exactamente a ver com a capacidade de determinada pessoa cumprir uma dada posição dentro do barco”.

Dadas as circunstâncias do Funchal, Moreira Rato está convicto de que, para além das bancadas, haverá variadíssimos sítios para as pessoas acompanharem as regatas. Por outro lado, não deixa de enaltecer este “local de excelência” que é a Madeira.

“Posso dizer-lhe que a expectativa é muito, muito grande entre todos os tripulantes e todas as equipas, a vontade de ir à Madeira é enorme. E não estou a dizer isto só com o orgulho de ser português: há realmente um entusiasmo muito grande. De um modo geral, as últimas regatas têm sido em rios, o que não é fácil, complica-nos um bocadinho o processo. Além de que a Madeira, nesta altura do ano, com o seu clima ameno, a temperatura da água… O skipper da equipa de Omã, que é a actual líder do campeonato, o americano Morgan Larson, que venceu duas vezes a Taça América (America’s Cup, uma das regatas transoceânicas mais prestigiadas) está mortinho por ir à costa norte da ilha apanhar umas onda de surf… De modo que penso que há muito carinho e uma expectativa muito grande para a nossa estadia na Madeira, entre quinta-feira e domingo, de 22 a 25 de Setembro”, afiança este responsável.

“Esperemos que o vento corra de feição… Não é preciso muito! Aí com uns dez, doze nós, já é uma adrenalina e algo verdadeiramente espectacular. Se assim for, o cenário natural e a beleza do Funchal farão o resto”, conclui.