Crónica Urbana: Quantos imóveis tem a Igreja? Quantos disponibilizou aos desalojados?

seminario diocesano 2
O seminário, recuperado, quantas pessoas poderia alojar? Quantos doentes, se transformado num hospital ou num lar?

Rui Marote

Respondendo à pergunta que nós próprios formulámos, e não querendo dedicar-nos à arte da adivinhação, vamos mesmo assim avançar com um número: para cima de uma centena de casas na Região Autónoma da Madeira. Na maioria devolutas. Exemplo disso são o antigo seminário na Calçada da Encarnação, a antiga casa do Dr. Maia em frente aos Jardins do Lago – uma quinta com mais de 15 quartos fora os salões…

Espalhadas pelo centro do Funchal e arredores, estão também algumas dezenas, e em outras localidades, como São Jorge, há vários exemplos. A Igreja disponibilizou nas últimas duas tragédias, as cheias do 20 de Fevereiro de 2010 e agora nos incêndios que assolaram a Madeira alguma dessas casas para alojar famílias vítimas das mesmas? Que saibamos, nada consta.

Só o fez em 1975 e 76, com o êxodo dos retornados das ex-colónias, que alojou na igreja de São Roque e na capela dos Anjos, em Machico, na altura sob a alçada do ex-padre Ribeiro, hoje cónego. Com autorização do bispo D. Francisco Santana.

Numa altura em que tanto se fala no pagamento do IMI, que vem onerar mais os cidadãos, e do qual a Igreja está isenta à sombra da Concordata assinada com o Estado – o que é contestado por vários entendidos, que dizem que a isenção deveria ser só para lugares de culto e não para outros imóveis bens da Igreja – faz todo o sentido levantar esta questão, bem como questionar onde anda a caridade.

Alguns dos edifícios devolutos da Igreja, por outro lado, são autênticos barris de pólvora em caso de incêndio, dado o estado de degradação e abandono.