Mulher vítima de acidente de trabalho num hotel de luxo espera e desespera por uma solução

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Fotos DR.

Dores e desespero. É este o estado de espírito de Cátia Patrícia Costa, cujo caso o FN relatou na passada semana. Uma mulher que foi vítima de uma acidente de trabalho, em dezembro passado, no Hotel Pestana Miramar, ao serviço da Serlima, devido ao uso de um produto de limpeza corrosivo (Rivonite) que lhe queimou primeiro a mão e depois também parte do braço.

Após o alerta do FN, a Seguradora Açoreana que acompanha o tratamento desta doente continua em silêncio. O mesmo silêncio por parte da empresa para onde trabalhava Cátia Costa. Enquanto tardam as atitudes concretas e eficazes, esta mulher, divorciada, mãe de quatro filhos, continua de baixa desde dezembro passado, à espera de uma solução para o seu problema de saúde.

Apesar do desespero, uma luz parece acender-se ao fundo do túnel: a secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais, Rubina Leal, alertada para o caso pelo FN, mostrou sensibilidade perante este caso e, em articulação com o responsável pela Saúde na Região, dá sinais de procurar acompanhar mais de perto o problema, de modo a evitar que a saúde de Carla Costa se agrave.

queima1Sabe-se que, através da Seguradora Açoreana, esta mulher tem sido acompanhada por dermatologistas numa clínica privada da cidade. Mas, segundo a própria transmitiu, nem eles próprios sabem o que fazer e já foi colocada a hipótese de ir a Lisboa para uma orientação técnica mais adequada. Necessária ou não esta viagem, a verdade é que os dias vão passando, assim como a carga burocrática própria dos processos desta natureza quando passam pelas seguradoras, e quem vive o problema desespera, sobretudo com parcos recursos financeiros e com quatro filhos ao seu cargo.

Carla Costa salienta que, nesta fase, não está interessada em culpabilizar a empresa para onde trabalhou, a seguradora ou qualquer médico. Apenas espera ansiosamente por uma solução que lhe permita voltar a trabalhar e ter uma vida normal. Os dias de calor intenso não têm ajudado a gerir esta espécie de “queimadura e formigueiro” na mão e no braço e as feridas reabrem-se com facilidade, aumentando a inquietação da doente. A residir num apartamento de habitação social, são os filhos que a têm auxiliado.

Um caso que deveria merecer também a atenção das entidades responsáveis pela fiscalização adequada às condições de trabalho às empresas de grande dimensão, nomeadamente na hotelaria onde o trabalho é intenso e as horas de produção diárias do trabalhador igualmente elevadas, numa campanha permanente de sensibilização para o cumprimento das regras adequadas, como estipula a medicina no trabalho. Afinal, não basta dizer que a Madeira continua a somar bons anos turísticos, overbooking no Natal e no verão, mas há que também acompanhar a situação daqueles que são os braços operacionais diários deste sucesso, os trabalhadores, e em que condições de trabalho se veem forçados por vezes a prestar serviço.