Iniciada a demolição da ponte da Saúde

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Foto Danilo Matos

O engenheiro Danilo Matos, que tem movimentado uma verdadeira campanha nas redes sociais contra a destruição das pontes nas ribeiras do Funchal e contra a betonização das muralhas de pedra que durante muitos anos serviram perfeitamente a protecção daqueles mesmos cursos de água, insurgiu-se novamente no Facebook contra a demolição da ponte da Saúde, na ribeira de Santa Luzia. Ontem, como diz, verificou “com mágoa” que “a sentença do GR começou a ser executada”, apesar dos seus alertas para a importância histórica e patrimonial da ponte.

“(…) demonstrei que não havia razões, quer do ponto de vista estrutural quer hidráulico, para a sua demolição. Não rebateram ou não quiseram ouvir”, queixa-se.

Questionando, novamente, o que tem o Governo Regional da Madeira contra as pontes novecentistas, em arco de cantaria, da ribeira de Santa Luzia, Danilo Matos aponta: “Demoliram a ponte do Cidrão, recuaram na ponte D. Manuel que esteve para ser abatida, mas tem um projecto de reabilitação que é uma calamidade, recuaram na Ponte Nova, graças ao movimento dos cidadãos, e agora a ponte da Saúde. Até na ribeira de São João, a ponte de São Paulo (Cabouqueira), do terceiro quartel do século XIX, também em arco de cantaria, vai ser demolida, de acordo com a empreitada e o projecto”, denuncia.

Também, para Danilo Matos, e nos termos do projectos, as obras nas pontes poderiam ter sido adjudicadas à parte, numa segunda fase. “Se não demolirem esta ponte, podem ser poupados cerca de 500 mil euros”, afirma. O que muito poderia ser utilizado para auxiliar pessoas que muito precisam de ajuda, na sequência dos incêndios recentes.

Por isso, o activista da defesa das pontes apela ao secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, Sérgio Marques, para mostrar que “não se revê integralmente nestes projectos” e mandar parar esta demolição. Há outros problemas bem mais importantes, alerta Danilo Matos, nomeadamente “problemas de segurança muito graves na ribeira de Santa Luzia”, que promete vir abordar no futuro. Mas não são as pontes.

Entretanto, continua a betonização das nossas ribeiras, escondendo as muralhas originais e aparentemente “apertando” ainda mais, se bem que ligeiramente, com o betão armado montado, o espaço por onde o caudal da água pode fluir. Uma constatação do jornalista do FN, que se pode verificar a olho nu. Além de prejudicial em termos de imagem – com o esconder-se das muralhas de pedra que tanto resistiram e ainda resistem – pode ainda ser prejudicial noutros aspectos.

Para quem duvida da resistência das muralhas de pedra que se construíam antigamente, é só constatar como as paredes do antigo cais do Carvão ainda subsistem, após todos estes anos, aos ataques em fúria do mar inclemente, todos os Invernos…