Crónica urbana: Mais terra queimada, menos autonomia

 

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Rui Marote

Comemoramos actualmente 40 anos de Autonomia – não só a conquistada somente através de lei, mas sobretudo da atitude reivindicativa do povo madeirense, que, porém, manteve sempre os laços à Mãe Pátria através da bandeira, do hino nacional, do Exército e forças militarizadas e tribunais.

Hoje, contraditoriamente, estamos cada vez mais dependentes do poder central. Os governantes nacionais ditam e decidem o que havemos de fazer. Estamos sempre de chapéu na mão; eles têm a chave do carro, e quando quiserem, desligam-nos o motor. A situação veio agravar-se ainda mais porque, devido à ocorrência de catástrofes naturais, estamos sistematicamente a pedir apoios: ocorreu com o 20 de Fevereiro de 2010, ocorreu com os incêndios que pouco tempo depois se seguiram às cheias e ocorre agora com mais estes incêndios que assolaram a Madeira.

Governar uma Região Autónoma não é governar uma câmara. Há diferenças substanciais. Mas um elemento em comum é que o chefe, neste caso, do Governo tem de estar acompanhado por uma equipa à altura. Não pode ser um homem só a decidir, ou a arrogar-se decidir, sobretudo em situações de crise e catástrofe.

A Protecção Civil está regionalizada, e todas as competências estão sob a alçada do presidente do Governo, que é o chefe supremo e deverá ser devidamente informado de todos os pormenores que se passam no terreno. E isto porque se das decisões tomadas decorrer um bem, todos aplaudem. Mas se falhar, as coisas complicam-se. E podem mesmo rolar cabeças… Mas não é isso que eliminará a responsabilidade de quem decidiu. Agora, que os soldados da paz começam a regressar aos quartéis e as operações vão sendo finalizadas, deve proceder-se a um balanço e a retirar conclusões. Temos de aprender com os nossos erros. A factura a pagar pelo facto de não se ter controlado a tempo este incêndio que chegou a ameaçar o centro do Funchal, como antes nunca acontecia, irá fazer mossa na contabilidade futura. A um ano das eleições autárquicas, será difícil que o povo esqueça… Mas, independentemente de se procurar bodes expiatórios, há que arregaçar as mangas, porque amanhã será um novo dia.