Produtores de banana vivem situação explosiva e mostram contratos “milionários” da GESBA

babaninha 2 Os produtores de banana na Madeira vivem momentos “difíceis” e de “profundo descontentamento”. Segundo os agricultores relataram ao FN, “o setor da banana piorou significativamente com a entrada deste Governo Regional”, contra todas as expetativas de quem trabalha a terra. O retrato feito ao FN resume-se a isto: “Produtores a trabalharem arduamente a terra, a ganharem muito pouco e cada vez mais pobres; aumentos de ordenados de 20 a 40% para os gestores da GESBA, a quem o governo confia o controlo do setor, e a fazerem cada vez menos, e nem Albuquerque nem Humberto Vasconcelos se dignaram ainda receber em audiência os produtores”.

Mas não é tudo. Enquanto a GESBA-Empresa de Gestão do Setor da Banana, Lda, vai fazendo contratos considerados pelos “pobres dos agricultores” como “milionários”, com entidades “a seu gosto”. O negócio da banana é muito lucrativo com os apoios comunitários, “mas só para quem está na linha de comando.” Enquanto isso, “os produtores, que são os grandes operacionais do setor, que mantêm a beleza da paisagem da Madeira, atravessam grandes dificuldades e vão esperando pelo pagamento do suor do seu trabalho”.

Cerca de 700 mil para novos carros

Aliás, são os próprios agricultores que recomendam ao público uma leitura atenta dos contratos feitos pela da Gesba, só este ano, a várias empresas, para ver como corre muito dinheiro na gestão da banana. Basta consultar on line a plataforma dos contratos das empresas públicas como a Gesba, na plataforma Base.gov, e somar os números. Só para mencionar apenas um exemplo, em maio deste ano, a Gesba comprou carros a uma empresa continental, UNILIFT, num total de cerca de 700 mil euros. Uma aquisição de 15 viaturas pesadas, mediante um concurso público, para muitos “feito à medida da empresa vencedora”. Vide link http://www.base.gov.pt/Base/pt/Pesquisa/Contrato?a=2189795, com a discriminação dos termos do contrato. Outros exemplos poderiam ser referidos, com a agravante de os produtores, que são sócios da Gesba, referirem não ter sido consultados sobre tais contratos.

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A Gesba, quando o ex-secretário, Manuel António, elogiava o seu desempenho.

Nova Associação para mudar

O ambiente de insatisfação e revolta foram expressos ao FN por José Manuel de Sousa e Antonino de Abreu, fundadores da Associação de Produtores de Banana da Ilha da Madeira-APBIM, constituída em junho deste ano, com o objetivo de dar um outro rumo à defesa dos interesses dos bananicultores. “Já havia uma Associação de Produtores de Banana da Zona Oeste, mas nunca puderam fazer nada, porque o presidente é funcionário do governo e os interesses de alguns não permitiram a defesa justa de quem é a alma da banana”, afirmou ao FN Antonino de Jesus.

Ambos são produtores de banana e figuras bem conhecidas do governo e da Gesba, aliás de quem são sócios como os demais cerca de três mil produtores. “Os produtores estão cada vez mais pobres e sós. A Gesba vende a banana a bom preço no continente. Até ao dia 15 de maio, a banana foi vendida a 1,45 euros ao quilo, acrescida de 44 cêntimos de subsídio da União Europeia e mais 10 cêntimos por manter a exportação o ano inteiro. Multiplique-se isto pelas toneladas vendidas. Mas ao produtor só tem chegado uma média de 50 cêntimos por cada quilo de banana, em toda a produção. Quem ganha então com este negócio?”

babaninha 4-jmAlbuquerque ainda não cumpriu

Ambos os produtores consideram que, contra todas as expetativas dos próprios e promessas eleitorais, a entrada em funções do atual Governo Regional piorou as coisas, estando o setor mais mal gerido que que quando estava no Governo o então secretário Manuel António.  Conta Antonino de Jesus: “Antes das eleições para este governo, Miguel Albuquerque reuniu com os produtores e prometeu, nos Armazéns das Frutas Douradas, resolver os problemas do setor e dar o justo valor a quem efetivamente trabalha. Gostámos de o ouvir e todos ficaram confiantes na mudança. Um ano e meio depois, constatamos, com grande tristeza, que tudo está pior. A vontade dele era grande, mas os “tubarões” que o rodeiam destruíram tudo. Além de se dar a ganhar aos amigos, na Gesba, que nada fazem, acabaram com o Armazém da Ponta do Sol e estão a pensar construir um novo em São Martinho. Para quê? Não precisamos de mais armazéns mas de gente para trabalhar e de não desterrar o trabalho do produtor. A Gesba já tem mais “doutores” lá dentro do que no próprio hospital, só para se ter uma ideia de como isto está”.

À espera de audiência

À frente da Gesba, que representa 2900 bananicultores madeirenses, está o presidente Jorge Dias. Mas, segundo relatam ao FN,  “presidente e vice-presidente é só para “inglês ver”. Quem efetivamente manda é Fernando Jardim Lourenço,  que tem um historial de irregularidades quando esteve ligado à CAPFM mas que é amigo do atual secretário da Agricultura e Pescas”.

Ambos os responsáveis pela nova Associação alegam que há muito que aguardam para serem recebidos em audiência quer por Miguel Albuquerque quer pelo secretário regional da Agricultura e Pescas. Mas continuam ainda sem resposta. Garantem, no entanto, que tudo farão para defender os interesses dos produtores, nem que para tal tenham de recorrer a Bruxelas.