Rubina Leal e os incêndios: ajudar agora as pessoas e depois aguardar pelo relatório final

IMG_20160812_170334[1]
Rubina Leal esteve esta tarde na zona alta de São Roque a visitar a população atingida pelos fogos. Viu e sentiu a destruição. A prioridade é ajudar as pessoas, defende.
O Governo Regional vai aguardar pelo relatório final sobre o dossiê incêndios para então fazer uma análise à forma como foi gerido todo o processo de avaliação, coordenação e intervenção por parte das autoridades. Antes disso, o mais importante é acorrer às situações de emergência social, ajudar as populações a recuperar, reabilitar a atividade económica e garantir a normalidade e a imagem do destino Madeira.

Foi desta forma que Rubina Leal respondeu às vozes que defendem a demissão de Miguel Albuquerque e do seu Governo por alegada falha na gestão de um sinistro com contornos trágicos. Até ao momento, há a contabilizar 3 mortos, 2 feridos graves, centenas de desalojados, floresta e edifícios seriamente danificados e milhões de euros em prejuízos.

Mas então o que aconteceu para que um fogo florestal, deflagrado nas serras, viesse em poucas horas a matar três pessoas no centro da cidade? A secretária regional da Inclusão e dos Assuntos Sociais entende não ser o timing adequado para considerações políticas; prefere centrar a atuação do Executivo no plano prático, de como atenuar as consequências.

“Essa questão não se coloca neste momento. Mais do que estarmos preocupados a analisar o que falhou e a falar em demissões – algo que deve estar a ser alimentado nas redes sociais -, importa agora estar no terreno com as pessoas, ajudá-las a atravessar este período difícil, resolvendo os seus problemas e tentando fazer a vida voltar à normalidade dentro do possível”, sublinhou. “Se fossemos aplicar esse princípio, então o Governo da República também teria de demitir-se, algo que aconteceria aliás todos os anos com os recorrentes incêndios que devastam o território continental”.

A secretária ficou a saber que que, para além do susto e dos prejuízos, os afetados têm outras batalhas a enfrentar: os seguros.
A secretária ficou a saber que, para além do susto e dos prejuízos, há outras batalhas a enfrentar pelas vítimas dos fogos: os seguros.

Em declarações ao FN, no decurso de uma visita que está a realizar esta tarde às zonas altas da cidade, onde tem contactado os moradores atingidos pelos fogos, a secretária regional responsável pela proteção civil e área social referiu que essa avaliação é importante, mas terá de ficar para uma fase posterior, depois de elaborado o relatório final sobre o sinistro. “Aí veremos o que correu menos bem, onde podemos melhorar. É evidente que, pela complexidade do que aconteceu, fogos em várias frentes, agravados por condições meteorológicas adversas, é possível haver erros”.

Face às críticas que têm surgido publicamente, as questões impõem-se: O pedido de apoio externo, numa fase mais precoce, não poderia ter ditado um desfecho diferente, menos trágico? Não terá havido uma falha na avaliação da situação?

A secretária regional rejeita a ideia de que a solução passaria apenas pelo aumento do números de operacionais. Reitera a tese já veiculada pelo chefe do Executivo: a intensidade e imprevisibilidade do vento foi um fator determinante e argumenta:

“Vejamos o caso dos Prazeres, na Calheta. Estão lá muitos bombeiros, há vários dias, com todo o equipamento, mas o fogo não dá tréguas. Portanto, não será apenas uma questão de meios, as condições atmosféricas são também decisivas”.

A governante também não comenta uma eventual falha na articulação entre Governo Regional e autarquias, sobretudo a do Funchal. Recorda que cabe à Proteção Civil a coordenação das várias entidades envolvidas, através do Plano Regional de Emergência de Proteção Civil, procedimento que está ativo desde o dia 9 de agosto 2016.

Responsável pela área social, Rubina Leal tem estado no terreno, nas zonas mais fustigadas pelas chamas, a fazer um levantamento das necessidades e a coordenar as respostas de emergência psicossocial.

Durante a manhã, visitou a zona da Pena, no Funchal, onde contactou os familiares das três senhoras que faleceram em resultado dos incêndios.

Estão também encaminhadas para alojamento, em fogos do Instituto de Habitação da Madeira, as famílias cujas habitações ficaram completamente destruídas ou sem condições de habitabilidade. As equipas da Segurança Social têm estado a preparar e a mobilar os apartamentos, de forma a poderem realojar imediatamente as pessoas. Até hoje, 10 famílias receberam um novo teto.

Nos próximos meses, será acionado o plano de recuperação das habitações com a ajuda do Governo Central, conforme anunciado ontem pelo Primeiro-Ministro, no decurso da visita à Madeira.