Jovem madeirense, estudante de medicina e campeã nacional de dança, pede apoio para competições no estrangeiro

maira1 beleza É uma jovem madeirense de 19 anos que reúne talentos invulgares. Além de ter sido uma aluna brilhante, está no terceiro ano do curso de medicina. Destacou-se também em alguns concursos pela sua beleza. Mas “isto” é apenas uma parte dos seus dons. Maira Caires é uma atleta exímia de dança desportiva, com um palmarés de prémios. A futura médica dança, ensina a dançar e este ano foi convocada, com o seu par, para representar Portugal em três campeonatos do mundo no estrangeiro. Precisa de patrocínios para cobrir as despesas e voar mais alto. Motivo?  “A dança é um desporto de ricos praticado por pobres, em que se gasta muito dinheiro”. Quem ajuda?
Filha de pais madeirenses emigrantes, que sabem bem o que é trabalhar duro no estrangeiro para ter um pé de meia, Maira Caires nasceu na Suíça a 18 de Novembro de 1996, na cidade de Rorschach. Com um ano e meio, veio viver definitivamente para a Madeira juntamente com a família, iniciando assim os seus estudos na ilha.
Os pais apostaram num estabelecimento de restauração, no centro da cidade, ao mesmo tempo que os filhos cresciam e estudavam. O percurso escolar desta jovem foi desde sempre acompanhado de vários prémios regionais devido às brilhantes notas, tendo sido distinguida duas vezes como a melhor aluna da Madeira. Simultaneamente, cultivava a beleza física que lhe valeu também algumas distinções. Conquistou os títulos de Miss Caniço e, em 2014, Miss Fashion Beauty.
Sim, uma jovem de mil talentos, com uma capacidade de trabalho e espírito de sacrifício invulgares. Além dos estudos, da moda, o indesmentível amor às danças de salão. Toda ela respira dança desportiva e, mesmo após ter entrado no curso de medicina, em Lisboa, também frequentado pelo irmão, um ano mais velho, mantém-se em forma, concilia os estudos com a dança e percorre diariamente quilómetros para dar aulas de dança, apenas por gosto. Começou a dançar na Madeira, no Prestige Dance, e faz parte agora do Dance Step Escolas, no Fogueteiro. O último título, campeã nacional de adultos pré-open.
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Muitas horas de treino nas danças de salão e muita metodologia de trabalho.

O curso segue de vento em popa. Mas, enquanto os estudantes aproveitam as merecidas férias na Ilha ou noutras estâncias balneares, Maira Caires já regressou a Lisboa para os treinos tendo em vista as competições no estrangeiro. E é aqui que a jovem lança, através do FN, o apelo aos mecenas ou demais patrocinadores no sentido de a ajudarem, bem como ao seu par de dança, Bernardo Venceslau, de Alcobaça, a participar nos três campeonatos do mundo, entre os próximos meses de setembro e outubro, na República Checa, Alemanha e Espanha.

Estas competições implicam despesas. “O problema é que financeiramente tem de ser tudo suportado pelos meus pais e os pais do meu par de dança… então, estamos a tentar arranjar patrocínios para tentar ajudar um pouco na despesa”, explicou.
Maira Caires expressou ao FN algumas reservas sobre o timing da divulgação desta reportagem, num momento em que a Madeira foi dramaticamente afetada pelos incêndios e procura dar resposta às necessidades mais prementes da população. O seu apelo de solidariedade junto de mecenas poderia eventualmente ser mal interpretado e não é essa a sua intenção. Mas o mundo não pode parar apenas nas tragédias e há que também projetar bons exemplos de madeirenses, de trabalho e sucesso, que ajudam a reerguer e afirmar o orgulho insular.
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Maira Caires e o suporte fundamental dos pais e do irmão.

Funchal Notícias – Como concilias o estudo da medicina com a dança, os treinos e as aulas de dança que também dás?

Maira Caires – Não é propriamente fácil conciliar a vida académica com a dança, ainda para mais quando também tenho de encaixar a minha vida pessoal. É preciso uma grande gestão e organização do tempo, mas também muito sacrifício. Acho que o mais difícil é mesmo gerir as coisas a nível social. Há momentos em que tenho de escolher entre treinar/estudar e um café ou uma festa, e para quem não está dentro das exigências e responsabilidades que o desporto e a medicina acarretam, muitas vezes não percebem o porquê de ter de dizer que “não” a esses momentos de diversão, apesar de querer.
“Dançar com corpo e alma”
FN – Quais são os teus objetivos para o Campeonato Nacional de Dança?
MC – Dar o meu melhor e deixar tudo dentro da pista. Claro que trabalho e luto sempre pelo primeiro lugar mas, acima de tudo, por muito cliché que possa parecer, o que importa é dançar com corpo e alma.
FN – Quais são as principais dificuldades que se atravessam no teu caminho, neste momento?
MC – Arranjar tempo para fazer tudo. O meu dia precisava de mais horas para conseguir conciliar tudo com mais facilidade. O segundo problema é a nível financeiro. A dança é um desporto de ricos praticado por pobres em que se gasta muito dinheiro. É as mensalidades, as aulas particulares, a indumentária, o calçado, as deslocações para os treinos e para os campeonatos. É um desporto muito caro que não tem qualquer tipo de apoio.
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Dançar deixando tudo lá dentro, na pista. E faz-se magia.

FN – Como perspetivas o teu futuro?

MC – A curto prazo, os meus objetivos são alcançar boas classificações nos Campeonatos do Mundo de Under21 que se vão realizar em setembro. Todos os meus esforços neste momento estão concentrados na preparação para esses campeonatos.
A nível académico, quero continuar a ter sucesso e conseguir, daqui a 4 aninhos, o meu diploma em medicina. A especialidade, essa ainda está por decidir…
A longo prazo, quero ser feliz. Quero poder exercer a minha profissão de preferência no meu país e que a dança faça sempre parte da minha vida.
Medicina para ajudar os outros

FN- Num tempo em que as ciências da saúde são as mais procuradas pela empregabilidade, faço na mesma a pergunta, porquê a medicina?
MC – Não foi nenhum sonho de criança como muitos têm. Nunca fui pessoa de uma só “profissão”. Quis ser cabeleireira, depois professora, pensei em polícia e investigação criminal, ainda andei às voltas com as matemáticas mas, por fim, o coração ditou que seria a medicina. Digamos que foi uma vontade que foi surgindo à medida que as escolhas iam sendo tomadas. Mas posso dizer, mais especificamente, que escolhi medicina pela curiosidade de saber mais e mais sobre o ser humano, pela vontade e gosto de ajudar os outros, de fazer e ser a diferença.

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Maira também tem sido distinguida pela sua beleza.

FN – Quais então as razões que te levaram às danças de salão?
MC – A dança de salão não foi amor à primeira vista. Quando eu tinha uns 7 anos, experimentei danças de salão durante 2 semanas e não gostei nada. Aos 9 anos, voltei à dança mas desta vez com o Hip Hop . Depois,devagarinho, comecei a dar os primeiros passos nas danças de salão e desde aí nunca mais parei. Acho que o que mais me atrai é o facto de as danças de salão serem extremamente ricas. Cada uma tem a sua própria história, técnica e carisma. É uma variedade enormíssima de culturas, emoções, ritmos, movimentos… É bastante exigente mas igualmente gratificante.
FN – Qual é a tua rotina diária em tempo de aulas?
MC – Regra geral, tenho sempre aulas de manhã, pelo que as minhas manhãs são passadas na faculdade em aulas e em pausas para o café para pôr as conversas em dia. Depois do almoço, ou tenho mais aulas ou então aproveito o tempo livre para fazer algum trabalho e pôr a matéria em dia. O final da tarde e a noite são reservados para a dança. Regra geral, antes das 23 horas não estou em casa. Por isso, assim que chego a casa é uma correria. Higiene pessoal, jantar, preparar as coisas para o dia seguinte, muitas vezes acabar um trabalho, e por fim, quando a cabeça e o corpo já não dão para mais, dormir até o despertador tocar e a rotina recomeçar. Claro que depois tenho imensas coisas pelo meio, também tenho e preciso de ter uma vida social.

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