Crónica Urbana: Não precisamos de “médicos”, precisamos de “bombeiros”

calheta fogo - sapo.pt

Rui Marote

O turismo madeirense este ano estava a bater todos os recordes, graças à desgraça dos outros… como a Tunísia ou o Egipto. Embandeirámos em arco com essa fartura. Com os incêndios dos últimos dias, a imagem da bandeira caiu por terra. Uma unidade hoteleira de cinco estrelas consumida pelo fogo; unidades hoteleiras no centro do Funchal evacuadas quando tinham índices de ocupação de 80 por cento; a imagem da Madeira no Facebook e noutras redes correu mundo à velocidade de um clique. As televisões estrangeiras abriam os seus telejornais com o Funchal em chamas.

Não há promoção turística que possa aguentar uma imagem que nos fazia lembrar Roma a arder e Nero a ver.

O “feedback” desta desgraça começa já a seer contabilizado. O muro das lamentações a que acorrerão agentes de viagens e hoteleiros terá o seu eco. Os governos estrangeiros quiseram fazer chegar a sua solidariedade para participar nesse combate  às chamas que a todos podem afectar; mas o imperador e os tribunos agradeceram e dispensaram, deixando para mais tarde, caso o cenário venha a agravar-se.

Porque não agora? Porque não acabamos de vez com esta incerteza? Temos sempre um “se”… O complemento directo não é precedido de proposição, mas há casos… É nestes casos que os governantes têm de ser humildes e deixarem-se de “mariquices”.

Do contingente de auxílio que veio para a Madeira fazem parte médicos e psicólogos. Do que precisamos, acima de tudo, é de bombeiros e de equipamento. Há quanto tempo se fala de um hidroavião? Estamos rodeados de mar e o reabastecimento é grátis… As opiniões dividem-se. Para uns, a Madeira é muito montanhosa, para outros há muitos ventos cruzados… Será que nos Alpes suíços ou franceses não há helicópteros?

É caro, concerteza. Já falamos de um héli desde o tempo do comandante Vaz Camacho, dos BVM, quando em 1973 morreram uns madeirenses na neve nas serras do Poiso.

O Jornal da Madeira, na altura, liderou uma campanha para a compra do héli com subscrição, publicando diariamente as verbas recebidas. Na altura ninguém fazia ideia de quando custava um héli. A campanha abortou, já que o dinheiro angariado nem dava para comprar uma das pás da hélice… só se fosse um helicóptero de brinquedo do Bazar do Povo, pelo Natal.

Mas o dinheiro que se gastou na Marina do Lugar de Baixo, sem dúvida que chegaria para comprar uma dúzia de hélis. Tudo isto tem de ser repensado. Não é com 150 bombeiros, na maioria voluntários, que o serviço de combate a fogos é suficiente. E não podemos persistir teimosamente no “orgulhosamente sós”…


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