Exposição sobre bolo de mel no Museu Etnográfico

museu etnográfico da madeira

A partir do próximo dia 9 de Agosto, estará patente no Museu Etnográfico da Madeira uma exposição subordinada à temática ‘Gastronomia Tradicional: O Bolo de Mel’. A mostra está inserida no projecto semestral do museu “Acesso às Colecções em Reserva” que tem como objectivo declarado dar a conhecer ao público o acervo do museu, que se encontra em reserva, permitindo a sua rotatividade.

O bolo de mel, de origem artesanal e doméstica e as suas formas de fabrico, são elementos culturais, testemunhos do viver de gerações passadas, que o desenvolvimento e a mecanização ameaçam fazer desaparecer e cujo domínio deve ser abordado, preservado e divulgado, defende uma nota governamental.

O Museu Etnográfico da Madeira recorda que este bolo foi sempre objecto de oferendas simbólicas, reforçando os laços de afectividade. Segundo João José de Sousa Abreu, o bolo de mel tem origem numa receita do convento franciscano masculino de Monchique, Algarve, cruzando os ensinamentos culinários de Portugal com o exotismo árabe-berbere.

Velhas crónicas franciscanas referem que Frei Jordão do Espírito Santo, em finais do século XV, navegou para a Madeira, (…) trazendo com ele a sabedoria do bolo de mel. Uma vez no Funchal, no natural intercâmbio de mimos entre os conventos, a notável receita, (…) tornou-se conhecida das freiras franciscanas do Convento de Santa Clara. Estas, bem aparentadas com a nobre fidalguia que encontrava na Índia um vasto campo onde exercer bons cargos e adquirir largas riquezas, juntaram ao bolo algumas especiarias do Oriente, com destaque para o cravinho. Com a Revolução Industrial, a utilização da soda foi incluída.

O bolo de mel, de forma cilíndrica e espalmada, foi levado pelas freiras para as casas senhoriais. Os criados das casas fidalgas, porque trabalhavam nas suas cozinhas, obtinham-no como oferenda e transmitiram a sua receita ao povo. A qualidade dos ingredientes dependia dos estatutos sociais, motivo pelo qual o bolo de mel foi durante muito tempo sinónimo de fidalguia, sendo apenas no século XX que o seu consumo se estende a toda a sociedade. A arte da sua confecção tem sido transmitida de geração em geração, sendo o mel de cana-de-açúcar e as especiarias as matérias-primas principais. É costume a família reunir-se para confeccioná-lo, num clima de festa e confraternização.

A exposição, com entrada livre, estará patente no Museu Etnográfico até Fevereiro de 2017.


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