Turistas brindados com sanitários imundos nas serras promovidas a peso de ouro no estrangeiro

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Casa do Pivo Ruivo.

Os grupos que visitam a Madeira e que efetuam caminhadas nas belas serras da Ilha deparam-se com um cenário de terceiro mundo: casas de banho ou encerradas ou num estado lastimável. Os guias de montanha coram de vergonha perante o olhar atónito do turismo e dos próprios madeirenses e a solução é improvisar sanitários a céu aberto, urzes adentro. Daí resulta um outro cenário ao visitante que constitui uma verdadeira nódoa numa região turística que tem no verde a sua principal mais-valia.

Curiosamente, os guias de montanha e outros cidadãos dizem já ter alertado as entidades competentes para esta realidade, mas a resposta tarda em chegar. A ponto dos leitores do FN questionarem: “Como é que uma Região gasta milhares e milhares de euros no estrangeiro para promover este destino turístico, e bem, nomeadamente as emblemáticas paisagens, e depois não se cuida daquilo que se promove?”

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Percurso Casa do Sardinha, Caniçal. Fotos Facebook.

A situação é ainda mais grave pelo facto de, no período estival, as serras serem muito procuradas pelos visitantes para as caminhadas, como é, aliás, do conhecimento público. Grande movimento na serra, mas sem estarem asseguradas as mínimas condições de higiene. O recurso é satisfazer as necessidades fisiológicas nos arbustos…

Pico Ruivo à espera de solução

Na tarde de ontem, um grupo de turistas efetuou a caminhada Pico do Areeiro-Pico Ruivo. Já no Pico Ruivo, depararam-se com sanitários abertos mas num estado de verdadeira “imundície” e praticamente sem água. De tal maneira que, os franceses e ingleses que entraram, voltaram logo a sair, a tapar o nariz e de olhar incrédulo para os guias.

A Casa do Pico Ruivo há muito que está encerrada. Há algum tempo, havia dois funcionários que zelavam pela manutenção, mas um reformou-se e outro foi dispensado. Desde então, nada tem sido feito. Comentam os visitantes da serra que é intenção das autoridades concessionarem a exploração da Casa a um privado, mas a renda solicitada afasta potenciais investidores. Falam-se em valores muito acima dos dois mil euros mensais.

A situação da Casa da Achada do Teixeira parece ter melhor destino, uma vez que tem acesso a carro e outras condições. Segundo é comentado, a gerência da Quinta do Furão poderá vir a explorar este espaço.

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Percurso Levada das 25 Fontes, no Rabaçal.

Acontece que este cenário do Pico Ruivo, por onde circulam diariamente centenas de visitantes, a maioria turistas, repete-se também na Levada das 25 Fontes, Rabaçal, ou até mesmo na concorrida Casa do Sardinha, no Caniçal. Normalmente, as casas de banho de apoio estão encerradas e, se alguma estiver de portas abertas, está entregue a um total abandono, reproduzindo um ambiente de terceiro mundo.

A perplexidade é ainda maior quando todos sabem que custará pouco resolver este problema que mancha o destino Madeira. Há jovens que aproveitam o verão para uma experiência de trabalho que poderiam colaborar na manutenção destes sanitários, assim como eventualmente os guardas florestais, entre outros funcionários das secretarias ligadas ao turismo e ao ambiente, bem como as Câmaras Municipais. Talvez custe pouco conservar a beleza endémica das serras da Madeira, assim como da nossa imagem de marca no mundo. Mas manchá-la e afastar o turismo é muito mais rápido do que parece, podendo e devendo ser evitado.