PCP: “vícios de absolutismo” persistem no PSD de Miguel Albuquerque

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Foto Rui Marote

*Com LR

No ãmbito da nossa auscultação aos diferentes partidos representados na Assembleia Legislativa da Madeira, não podia faltar o PCP, o protagonista da primeira moção de censura ao Governo social-democrata presidido por Miguel Albuquerque. Combativos, os comunistas regem-se por uma metodologia rígida e espartana. Há quem os acuse de terem parado no tempo, mas ninguém lhes pode negar a combatividade e a persistência. Fazem parte dos mais críticos ao Governo e denunciam sem parar o que consideram a “fraude” do Governo albuquerquista. Edgar Silva responde às nossas questões.

Funchal Notícias – Que balanço faz a mais um ano parlamentar (o melhor e o pior)?

Edgar Silva – Numa breve avaliação ao anterior ano parlamentar, destacaria, pela positiva, a apresentação da Moção de Censura ao Governo. Pela negativa, as sucessivas suspensões dos trabalhos do Plenário, os motivos e a forma como sucedem, que desprestigiam e estigmatizam o Parlamento e os parlamentares.

Funchal Notícias: Qual é a principal dificuldade do trabalho legislativo?

ES – Considero que a maior dificuldade do trabalho legislativo no Parlamento da Região radica nos vícios do absolutismo, nas distorções provocadas por uma perversa incultura de maioria absoluta, nos seus tiques de abuso de poder que o PSD de Miguel Albuquerque transporta.

Funchal Notícias: Que perspectivas para o próximo ano parlamentar?

ES – O trabalho parlamentar deverá, naturalmente, estar condicionado pelo evoluir do quadro político
regional. A situação política regional está associada a um tempo de descontentamento crescente, que nalguns casos já deu lugar ao protesto e à contestação, como ainda recentemente se verificou no sector da saúde. A recente festa partidária organizada pelo PSD no Chão da Lagoa também evidenciou uma profunda desmobilização da base de apoio do PSD e do Governo presidido por Miguel Albuquerque. Toda esta situação resulta do facto de o PSD ter prometido um novo cíclo político e a renovação, quando, pelo contrário, revela uma completa falta de projecto, aplica erradas decisões de governo, como continua a não dar cumprimento a tantas das promessas eleitorais. Assim, as nossas perspectivas para o próximo ano parlamentar centrar-se-ão no escrutinar das falsas promessas feitas
pelo PSD de Miguel Albuquerque, numa fiscalização minuciosa da fraude política. Em contraposição, apresentaremos propostas que possam contribuir para que um novo rumo seja possível para o desenvolvimento humano e social da Região.