Fotos: Rui Marote

O Parque de Santa Catarina finalmente encheu para o último dia do Funchal Jazz, protagonizado por Gregory Porter e, a antecedê-lo, pelo Sexteto de Jazz de Lisboa.

Pese embora a qualidade indiscutível dos músicos portugueses, que protagonizaram uma actuação que não desiludiu, foi certamente Gregory Porter, pela novidade que constituía no Funchal Jazz, que constituía a atracção principal desta edição. O cantor, que venceu o Grammy para Melhor Álbum de Jazz Vocal em 2014 com ‘Liquid Spirit’ encheu a noite com uma actuação vibrante, envolvendo a assistência com a sua voz quente e melodiosa.

Porter foi fortemente influenciado pela mãe, Ruth, na sua carreira artística, já que foi ela que o encorajou a cantar na igreja desde muito cedo. Porém, cantar não foi sempre a sua única aptidão, já que foi jogador de futebol americano na sua juventude.

Nascido em Sacramento em 1971, chegou também a trabalhar como cozinheiro-chefe no restaurante do irmão, Lloyd, em Brooklyn, Nova Iorque.

O seu álbum ‘Liquid Spirit’, que já mencionámos, chegou a número 10 do top no Reino Unido, onde vendeu mais de 100 mil discos. Um sucesso comercial raramente atingido pelo género jazzístico.

O seu quarto álbum, ‘Take me to the alley’, saiu em Maio deste ano, e Porter apresentou ontem algumas canções do mesmo no Parque de Santa Catarina. Foi um disco também bastante elogiado. A continuação de uma carreira de sucesso que teve no seu álbum inicial, ‘Water’, de 2010, que foi logo nomeado para os Grammy. Gregory Porter situa-se, quiçá, numa fronteira ténue entre o jazz, o blues, o soul, e o rythm and blues. É, em todo o caso, uma receita de sucesso.

Gregory Porter usa um curioso chapéu que lhe tapa a cabeça e partes da cara, e que gera alguma estranheza, mas que já se tornou a sua imagem de marca. O próprio já revelou, numa entrevista, que tal se deve a “cirurgia que realizou na sua pele”, pelo que esta tem sido a sua aparência já há algum tempo e continuará a sê-lo por mais algum.

Para além de Gregory Porter, conforme salientámos, a noite de ontem foi aberta com o Sexteto de Jazz de Lisboa.

Uma formação que reúne músicos portugueses de elevada craveira, entre os quais Mário Laginha, no piano; os outros são Tomás Pimentel, no trompete e filiscórnio, Ricardo Toscano, no sax alto, Edgar Caramelo no sax tenor, Francisco Brito, no contrabaixo, e Mário Barreiros na bateria. Este ensemble, histórico, formou-se já no longínquo ano de 1984 e foi um dos primeiros agrupamentos profissionais portugueses, dos mais dignos de nota. Os músicos responderam a um repto que lhes foi lançado para se reencontrarem em palco ao fim de quase três décadas, não só reinterpretando o seu repertório mas estreando composições e arranjos.

O grupo foi, todavia, ensombrado pela morte prematura do músico Jorge Reis. Mas prosseguiu, em sua homenagem, convidando para o seu lugar Ricardo Toscano.

Aqui fica o excelente registo fotográfico de Rui Marote, de uma noite de inolvidável boa música.

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