Rudresh Manhantappa deu ‘show’ de virtuosismo no Funchal Jazz

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Fotos: Rui Marote

Uma perfeita coordenação entre a mente, o coração, a mão e o instrumento, um virtuosismo incontestável e uma actuação totalmente dedicada: foi disto que deram provas, ontem no Funchal Jazz, o agrupamento Rudresh Mahanthappa Bird Calls, com o próprio Rudresh Mahanthappa no sax alto, Adam O’Farill no trompete, Bobby Avey no piano, Thomson Kneeland no contrabaixo e Rudy Royston na bateria.

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Todos eram competentes músicos, sem dúvida, e tocavam com o mesmo grau de empenho e perfeita concatenação. Mas o mais impressionante era mesmo ver a cumplicidade e comunicação entre Rudresh Mahanthappa e Adam O’Farrill, entusiastas com um fôlego fantástico e que se lançavam em longas tiradas capazes de deixar satisfeito e até exausto o mais exigente fã da sonoridade dos metais.

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Colaborador de nomes como Jack DeJohnette, Rez Abbasi, Danilo Pérez, Jason Robinson ou Clark Terry, Rudresh Mahanthappa conta com numerosos prémios e galardões a atestar a sua enorme capacidade. Colaborou durante anos com o pianista Vijay Iyer, com quem gravou nove álbuns. Em projectos liderados ou co-liderados por si, tem-se destacado nas duas últimas décadas.

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Neste ‘Bird Calls’, inspira-se em Charlie Parker para reinventar todo um universo musical. Não restam dúvidas de que impressionou o público, que terá ficado mesmo algo assoberbado pela intensa. e talvez inesperada interpretação.

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Antes, Mário Laginha e Maria João tinham percorrido o seu repertório num registo muito seu e já bem conhecido, se bem que sempre dotado de uma indiscutível qualidade. Com João Frade no acordeão, Bernardo Moreira no contrabaixo e Alexandre Frazão na bateria, deram mais uma vez conta da sua ligação criativa e musical, que é indubitavelmente qualquer coisa de especial.

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Maria João não desiludiu os fãs das suas aventuras vocais, nas quais usa a voz com um instrumento extraordinariamente flexível e capaz, e explora os mais distantes limites do improviso.

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Quanto a Mário Laginha, tem os seus pergaminhos já mais que firmados, não precisa mesmo de provar nada a ninguém, já todos sabem o que dele esperar. Solista frequente, colaborou também com dois dos mais originais e capazes pianistas portugueses, Bernardo Sassetti (infelizmente tragicamente desaparecido quando ainda tinha tanto para dar) e Pedro Burmester. A sua presença abrilhanta sempre qualquer festival. Iniciou a noite, mas foi Rudresh quem realmente a terminou em beleza.

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