
São 240 anos a separar dois dos maiores acontecimentos na História dos Estados Unidos e do mundo. Um lampejar na vida do universo, mas passo de gigante para a Humanidade. Esta segunda-feira, não foi apenas o fogo de artifício do Dia da Independência que levou os americanos a olharem o céu.
A 4 de julho de 1776, os Estados Unidos assinavam a Declaração da Independência. Hoje, 240 anos depois, o país (e o mundo inteiro) assistiu a um outro grande feito: a entrada da sonda espacial Juno na atmosfera de Júpiter (em Portugal já só acontecerá no dia 5).
Ainda que as comemorações deste dia sejam célebres pelo fogo de artifício, nada se poderá comparar ao investimento feito nesta missão espacial: 1,13 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros), conforme se destaca no jornal online Observador.
Entretanto, a missão chegou a bom porto: esta madrugada a NASA anunciou que Juno tinha entrado com sucesso na órbita de Júpiter, depois de quase cinco anos de viagem pelo espaço.
Júpiter é o primeiro planeta gasoso depois da cintura de asteroides que o separa de Marte, mas Júpiter é também o maior planeta do sistema do sistema solar – sem contar com o Sol, tem mais do dobro do material dos outros astros do sistema solar juntos (planetas, luas, cometas e asteroides). Tem uma massa 300 vezes maior do que a do nosso planeta, o que faz com que a força da gravidade com que atrai os objetos celestes à sua volta seja enorme. Esta será a primeira provação da sonda Juno: à medida que se aproxima do planeta a força da gravidade será tal que vai fazer a sonda acelerar até 241 mil quilómetros por hora.
266 mil quilómetros por hora, será a velocidade máxima atingida por Juno, tornando a sonda o objeto construído pelo homem que atingiu a maior velocidade até hoje, refere o site ScienceAlert. O suficiente para dar a volta à Terra em nove minutos.
Mesmo a esta velocidade, os 18 meses previstos para a permanência em órbita darão a Juno (e aos investigadores em Terra) muito tempo para recolher dados únicos sobre a formação e evolução do planeta com nome de deus romano. A 20 de fevereiro de 2018, e se se aguentar até lá, a NASA dará a missão por concluída.
Para além da avassaladora gravidade, Juno estará exposta a níveis de radiação muito altos, numa região onde os eletrões se deslocam à velocidade da luz, podendo “atravessar uma nave espacial e separar os átomos dentro dos dispositivos eletrónicos ou fritar o cérebro de um humano se não se fizer algo sobre isso”, refere Heidi Becker, investigadora sobre os efeitos da radiação no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. Mas os cientistas envolvidos no missão fizeram algo por isso: criaram um escudo, um autêntico cofre, em titânio.
Para quem quiser seguir todos os momentos da sonda Juno, desde o percurso feito até Júpiter, até à entrada na atmosfera do planeta pode descarregar uma aplicação da NASA – Eyes on Juno (De olhos em Juno).
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