
Angelina Carvalho e Francisco Martins foram eleitos “Miss” e “Mister” da passerelle. Mas o “Desfile Primavera no Mundo”, em estreia na Praça do Povo, fez todos os participantes vencedores. Sem preconceito nem idade. Que o diga a concorrente mais velha do alto dos seus 103 anos.
* Rui Marote (Fotos)
Era a sexta na lista dos concorrentes. Chegou garrida e a sorrir, no seu fato confecionado com bandeiras de vários países e flores em tecido. Não fora a informação do apresentador e ninguém diria que Georgina Jardim Jesus atingira já os três dígitos de existência. Ainda que em cadeira de rodas, a menina mais velha do Lar de Nossa Senhora do Bom Caminho (Machico) e de todo o evento desfilou por entre os aplausos do público, mostrando que o seu “Mundo das flores” – assim se chamava o projeto – tinha tudo para (con)vencer.
Tal como Georgina Jesus, os restantes participantes da 15ª edição do “Desfile da Primavera”, evento que se estreou esta segunda feira na Praça do Povo, defenderam com elegância e criatividade as propostas de moda que se queriam arrojadas e sustentáveis. O público, entre convidados e muitos curiosos, gostou e apoiou.

Foram 18 concorrentes (16 senhoras e dois cavalheiros) a defenderem os projetos de seis instituições, sob o lema “A Primavera no Mundo”.
Ao júri, composto por figuras ligadas à cultura, gerontologia, moda e comunicação social, não foi fácil a tarefa de selecionar os melhores entre tantas propostas de qualidade. João Carlos Abreu, porta voz, destacou inclusive o quanto estes trabalhos refletiam o espírito de abnegação e carinho de todas as equipas e técnicos envolvidos na missão de apoiar os idosos numa existência de qualidade e ativa.

Feita a apreciação dos projetos e da prestação dos concorrentes, os jurados atribuíram, por unanimidade, os títulos de “Miss” e “Mister Primavera” a Angelina Carvalho e a Francisco Martins, ambos do Estabelecimento Bela Vista, pela complexidade e cuidado na confeção, pela harmonia e estética com o tema, pela elegância, criatividade e originalidade.
Foi com o “Melhor destino insular do mundo” que Angelina se apresentou a concurso; um traje de viloa executado com matérias recicláveis, aludindo à riscas do padrão das saias e aos colares de rebuçados. Já Francisco Martins deu corpo ao “Italiano vero” envergando um fato e chapéu com acabamentos de massas alimentícias.

Teresa Pereira, do Lar de Santa Teresinha, e Manuel Pedro, do Lar Santa Isabel, receberam os títulos máximos para a Simpatia.
Helena Andrade, também do Lar Santa Isabel, conquistou o prémio Ecologia, com o projeto “Beleza do Mar”.
Ao Lar de Santa Teresinha (Canhas) foi atribuído o galardão de melhor grupo.
Os Lares do Ilhéu e do Vale Formoso marcaram igualmente presença no desfile, cada qual com três propostas, à semelhança dos restantes grupos.

Para além dos trabalhos apresentados em concurso, o evento patrocinado pela Secretaria Regional de Inclusão e Assuntos Sociais incluiu ainda uma retrospetiva de modelos de edições anteriores. Momento para recuperar memórias e dar o ar da sua graça, num espetáculo que era mais festa que competição.
A animação musical esteve a cargo dos PanCAOTuques (CAO de S. Vicente), do Projeto Simbiose (CAOs Funchal), do Grupo Folclórico (CAO de Câmara de Lobos) e do Grupo Medici (CAO da Camacha), aproveitando o grande palco montado na Praça do Povo para as comemorações do 1 de julho. Junto ao público, houve dança e animação, em modo “Energia da Primavera”.
A secretária regional Rubina Leal aproveitou a ocasião para sensibilizar para a questão do envelhecimento ativo, recordando que iniciativas do género devem ultrapassar as paredes das instituições e assumir novas centralidades na sociedade. Pela primeira vez, o desfile de moda saiu do Estabelecimento da Bela Vista, a instituição pioneira, trazendo para um espaço público e de grande visibilidade todo o trabalho que se tem desenvolvido ao longo dos últimos catorze anos junto da população sénior.
E sem grandes custos, conforme sublinhou a governante, destacando a colaboração dos Centros de Atividades Ocupacionais na decoração, o contributo do Exército na montagem da estrutura de proteção camuflada e a presença de estudantes de enfermagem no apoio aos utentes durante o espetáculo.
Exemplo de que, “independentemente da idade, onde houver vontade será primavera sempre”.
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