APRAM tem de viver com os ‘caloteiros’

 

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Rui Marote

A APRAM é uma ‘Santa Casa da Misericórdia’. Os cofres do organismo responsável pelos portos da Região vão-se esvaziando com os ‘caloteiros’, num autêntico rol digno de uma grande superfície. E em casa que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Sempre pronta a ‘apagar fogos’ com obras aqui, obras acolá… quem paga é sempre a APRAM.

Não é fácil gerir os portos da RAM quando as ordens são emanadas de três componentes: quero, mando e posso. A sua área de acção está retalhada pela Sociedade Metropolitana, Pescas, Lota e Entreposto Frigorífico, e porque não o varadouro de São Lázaro, um feudo recente. Mas vamos ao assunto em epígrafe. Nas instalações da antiga gare marítima, junto a um dos túneis, existia um espaço do clube de carros clássicos, que contraiu uma dívida de cerca de 27 mil euros respeitantes a rendas até à sua demolição. A APRAM fez tudo para cobrar essa dívida e até chegou a levar o caso a tribunal. Mas tudo leva a crer que “e tudo o vento levou”.

Passados todos estes anos, o Clube de Automóveis Clássicos irá construir um museu debaixo da rotunda Harvey Foster, à entrada da Pontinha, hoje casa de sem-abrigo, sob alçada da APRAM, situação já denunciada pelo Funchal Notícias há mais de um ano, como um péssimo cartaz turístico.

Quanto custa essa obra? Quem paga? E por fim, faz sentido privilegiar um devedor da área portuária?

Será que essa ideia tem pés para andar? Quando a uns cem metros de distância temos o edifício da lota em ruínas, com cobertura de amianto, em péssimas condições, de uma urgência imediata mas ainda a aguardar solução?

Nos arredores, há uma imagem de destruição, que nos lembra o Iraque e a Síria. Tudo isto está em segundo plano, quando deveria ser uma prioridade.

Os madeirenses podem viver sem um museu de automóveis clássicos, que satisfaz o ego de uma secretaria governamental. Mas não podemos esperar que tenham um lugar para receber o pescado, que não seja contaminado por fibrocimentos, elementos cancerígenos, como se sabe.

É de apelar ao Governo para que faça uma visita ao local, traçando prioridades…

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