A propósito da mobilidade: e a linha Eco?

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*Com Rui Marote

Um dia depois de o Governo Regional da Madeira ter apresentado o Plano Estratégico para os Transportes, é pertinente questionar o destino que foi dado a ideias também na altura apresentadas como inovadoras, mas que acabaram, miseravelmente, por ficar pelo caminho.

Na apresentação de ontem, o enfoque principal foi para o transporte terrestre. No entanto, não foi referido que a Região teve, há algum tempo, um transporte público exemplar, chamado linha Eco, com pequenos autocarros movidos a baterias e que realizavam zero poluição no centro da urbe do Funchal, que de modo muito conveniente percorriam, facilitando a mobilidade a muitos cidadãos.

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A linha Eco foi, na altura, apresentada com pompa e circunstância e era a ‘menina dos olhos’ de Homem Costa, então administrador da Horários do Funchal.

Hoje, dessa ideia peregrina, restam apenas pela cidade alguns marcos, que não passam agora de poluição citadina.

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Onde estão esses autocarros? Tudo terminou sem sabermos se o investimento realizado teve retorno.

Consta que o problema residiu nas baterias eléctricas utilizadas, cuja substituição seria “muito cara”… será verdade?

Seja como for, a linha Eco acabou por ter o mesmo triste destino de uma outra ideia, os transportes urbanos gratuitos, cujas paragens eram assinaladas com uma placa cor de laranja e que davam também a volta ao centro da cidade do Funchal, facilitando imenso a deslocação de múltiplos cidadãos.

As ideias para facilitar a mobilidade surgem, mas a sua sustentabilidade fica sempre para ser aferida mais tarde. Como, mais recentemente, o autocarro que servia o Mudas Museu de Arte Contemporânea, e que acabou por ser cancelado apenas alguns meses depois de entrar em funcionamento.

Sem pôr em causa a legitimidade dos planos, o que mais interessa é que os mesmos sejam bem pensados, de modo a resultarem a longo prazo. Muitas ideias nem passam do papel, outras, após breves experiências, ficam pelo caminho. E quem paga sempre? O cidadão, claro…