Zona portuária, um “barco sem arrais”

*Com Rui Marote

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Não é nenhum segredo que a directora da APRAM – Administração dos Portos da RAM, Alexandra Mendonça, não está propriamente nas boas graças do presidente do Governo Regional. Aliás, este assumiu na Assembleia Regional que “não faz saneamentos políticos”, dando a entender que só por esse motivo é que a mantém no cargo. O que é certo é que foi particularmente visível, em tempos mais recentes, um esvaziamento da autoridade de Alexandra Mendonça. E o secretário da tutela não ajuda. A zona da frente de mar do Funchal parece uma manta de retalhos, quanto a responsabilidades. O varadouro de São Lázaro, a nova Marina e toda a área desde o local do futuro Museu de Cristiano Ronaldo até ao novo parque de estacionamento está a cargo de um funcionário requisitado ao Registo de Navios, para gerir esta área, na qual se enquadra também a zona onde estão situados os clubes náuticos.

Entretanto, o pessoal do quadro dos Portos nas instalações de São Lázaro deixou de envergar a farda portuária para servir e apoiar as actividades náuticas, estando de prevenção e de maquinista do novo guindaste. Tudo isto é pago pelo erário. Mas não fica por aqui.

NOVA MARINA

Recentemente, o mal-estar instalou-se na nova Marina (cais 8) entre os catamarãs e o novo ‘capataz’, que entrou a bordo de um deles, propriedade privada, dando ordens à tripulação destes veleiros turísticos.

Os proprietários destas embarcações de turismo, e com a autorização da APRAM, efectuaram algumas obras de reparação e reforço dos ‘fingers’ para protecção dos barcos, mas receberam do dito funcionário ordens para retirar isto e aquilo, com ameaças de “quem manda aqui sou eu”.

Entretanto, o FN constata que, se quiser obter uma informação dos Portos, terá de a pedir à Secretaria da tutela (ou seja, a da Economia) e só através da sua assessora de imprensa obter resposta. Dá a ideia de que a presidente da APRAM está “proibida” de prestar informações aos órgãos de comunicação, embora a APRAM tenha uma assessora de imprensa… As respostas saem sempre da Avenida Arriaga.

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A zona portuária está, pois, dividida. O ‘calçadão’ é dos Portos, a Praça do Mar, edifício que albergará o Hotel Pestana CR7 e o Museu de Cristiano Ronaldo estão sob a alçada da Sociedade Metropolitana, a rotunda e avenida de acesso ao calçadão e as lojas desde a rampa do cais norte até ao futuro espaço para o Museu dos Carros Clássicos está sob a alçada da mesma, dirigida por Maria do Monte… Já os jardins do calçadão estão sob a estrita e particular vigilância do próprio Miguel Albuquerque. Conclusão: faz lembrar a Rua da Carreira, que o passeio norte é da freguesia de São Pedro, o passeio sul pertence à freguesia da Sé, e a Junta de São Pedro situava-se na área da Sé… Entretanto, no meio de tudo isto, interroga-se qual é o papel de Alexandra Mendonça? Quer queiram quer não, é a presidente da APRAM e supostamente deveria ver o seu cargo respeitado…

A juntar a esta salganhada, alguns pequenos pormenores para condimentar o caldo: na área junto ao Museu CR/ foram plantadas, há cerca de um mês, certas árvores, que eram tão apropriadas para resistir às fortes brisas marítimas que, com as recentes ventanias, ficaram totalmente sem folhas e reduzidas a um pau.

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Qual o nosso espanto quanto foram repentinamente substituídas por palmeiras, que pareceram ter crescido de um dia para o outro.

O interessante é que será preciso arrancar as palmeiras e plantá-las de novo, uma vez que a água de rega não entra no subsolo. O piso em que foram plantadas está compactado e a água permanece à superfície, estagnada. Além de prejudicar a palmeira, é um lugar privilegiado para o mosquito ‘Aedes Aegypti’ proliferar. E desde há muito que as ordens na zona são as de que os barcos, depois de lavados, devem ficar com o casco para cima, não retendo qualquer água.

Ou seja, exemplo atrás de exemplo, para não citar os inúmeros casos que já fomos enunciando nestas ‘páginas’ ao longo dos tempos, a zona portuária é um autêntico campo experimental com poderes divididos e decisões extemporâneas. A pergunta permanece: quem paga?