Cultura em debate no Parlamento: Albuquerque defende a sua importância e transversalidade

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Fotos: Rui Marote

A Cultura, esse tradicional ‘parente pobre’, é hoje o tema do debate mensal com o Executivo, na Assembleia Legislativa Regional. O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, e o secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, estão presentes no hemiciclo, dando o seu melhor para defender as linhas orientadoras das suas intenções para a área cultural, quanto ao que o Governo tem feito até agora e quanto ao que pretende fazer para o futuro. Num debate ‘morno’, a oposição não se tem coibido, todavia, de apontar lacunas e enviar alguns remoques ao presidente, quanto a supostas instabilidades na Direcção Regional de Cultura. Em termos gerais, porém, a discussão decorre relativamente pacífica.

Miguel Albuquerque iniciou os trabalhos esta manhã, proferindo uma intervenção na qual enunciou vários objectivos do seu programa de governo. Defendendo a ideia de que a Cultura é transversal a toda a nossa sociedade, fez o apostolado do impulso que a mesma dá aos processos de conhecimento e pela forma como relaciona a identidade e herança histórica ao presente e às novas linguagens inovadoras da criação contemporânea.

Considerando-a “imprescindível na capacidade de termos um conhecimento crítico da realidade”, o chefe do Executivo apontou que “só cidadãos informados, alfabetizados e capazes de compreensão e lúcido escrutínio relativamente à realidade poderão exercer em pleno os seus direitos de cidadania”.

Uma sólida bagagem cultural, considerou, é tanto mais importante quanto a actual sociedade da informação é feita de inúmeros estímulos e propostas, sendo necessário que as pessoas sejam capazes de “separar o ‘trigo do joio'”, para não sofrerem desinformação nem manipulação.

Miguel Albuquerque, todavia, disse que não devemos cultivar uma atitude preconceituosa quanto à cultura do audiovisual, que é actualmente acusada de todos os males. Do seu ponto de vista, é possível articular de forma harmoniosa esta chamada cultura de massas com a dita cultura erudita.

“Não está demonstrado que a nova era digital – audiovisual esteja a afectar a criatividade artística e intelectual no seus campos específicos”, referiu.

Alargar a difusão da cultura e da arte aos cidadãos com recurso aos modernos métodos de comunicação disponíveis é estratégia que se pretende implementar, também, nas suas múltiplas formas, na RAM.

“É nossa intenção abrir um Portal Digital na Direcção Regional da Cultura que potencie a difusão e promoção dos nossos criadores e artistas e suas obras, o património, os acervos museológicos, os equipamentos culturais, as tradições populares, a divulgação e conhecimento do nosso património paisagístico, exposições, edições, eventos e conteúdos”, disse o orador.

Miguel Albuquerque avançou ainda que os 600 anos da Descoberta da Madeira é um projecto transversal a todos os sectores da nossa vida social, que se pretende realizar durante vários anos, projectando nacional e internacionalmente a Região. Este projecto está a ser preparado internamente pelo Governo com a colaboração de todas as secretarias.

“Este ano avançaremos com o plano de comunicação e temos a certeza que esta celebração será um sucesso com o envolvimento dos cidadãos e de todos os agentes culturais, sociais e institucionais da Região”, acrescentou.

O governante sublinhou também a intenção do Governo continuar com as intervenções de conservação e restauro dos imóveis que detêm a classificação de Monumentos.

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Como exemplo, citou o trabalho feito na conservação e restauro nas capelas do Corpo Santo e Reis Magos.

“Foi concluída a intervenção do imóvel classificado de interesse municipal – Casa das Mudas e Capela de Nossa Senhora da Piedade integrada no Museu Quinta das Cruzes. Prosseguem as obras de qualificação e reabilitação da Fortaleza do Pico; as capelas monumentais integradas no âmbito do projecto ‘Dar a ver’ e ‘Capelas ao Luar’ serão objecto de restauro e já estão em curso procedimentos concursais para o efeito. Vamos avançar com a recuperação do Coro Alto do Convento de Santa Clara”, referiu.

Ainda referindo-se ao património edificado, disse que o Solar do Aposento, na Ponta Delgada, será objecto de recuperação e musealização. As capelas da igreja matriz de Machico também serão reabilitadas. Neste sentido, apontou também a importância da recuperação dos Caminhos Reais em toda a ilha.

A passagem da colecção do Museu de Arte Contemporânea da Madeira para a Calheta, apontou, foi uma aposta na descentralização cultural.

A Quinta Magnólia, a reabilitar pela PATRIRAM, deverá estar pronta no primeiro trimestre de 2017, anunciou. A Casa-Mãe da Quinta será transformada numa galeria de exposições de arte moderna e contemporânea.

O arranque da empreitada do Museu Vicentes também está a cargo da PATRIRAM. O acervo será “embalado, tratado, acondicionado e digitalizado”, prometeu.

No Porto Santo, será instalado o Núcleo Museológico Jorge Brum do Canto. O Museu de Automóveis Clássicos é outra aposta para instalação no Porto do Funchal.

Na Quinta Jardim do Monte, será criado um Museu do Romantismo. “O estudo prévio está em execução e contamos já com um milhão de euros em Orçamento Regional”.

Estas foram algumas das linhas mestras defendidas por Albuquerque no Parlamento.

No campo editorial, afirmou, “vamos continuar a promover a edição de obras ensaísticas que representem um contributo relevante para o conhecimento da história madeirense”, apoiando-se também a edição privada.

Por outro lado, “os valores dos protocolos de cooperação com as diversas entidades e agentes culturais, em 2016, será superior ao valor consagrado em 2015”.

No que concerne aos festivais culturais, foi efectuada uma alteração no modelo, com o fito de abranger públicos mais alargados, tanto residentes como turistas.

O presidente destacou também iniciativas “de grande sucesso”, como a oficina do Empreendedor Cultural, que serão repetidas ainda este ano.