António Fournier: para uma leitura do próximo livro de João Carlos Abreu

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Fotos: Rui Marote

António Fournier, um madeirense que lecciona há largos anos em universidades italianas, particularmente na Universidade de Turim, é o autor do prefácio ao novo livro de poesia de João Carlos Abreu, ‘A Noite Que se Prolonga em Mim’. Inicialmente, recorde-se, a apresentação da obra estava prevista para alguns dias atrás, no Nini Design Centre, no Funchal, mas entretanto o irmão de João Carlos faleceu e o livro sofreu ainda alguns atrasos na tipografia, pelo que o lançamento foi adiado para dia 26, terça-feira, às 18h30. Está prevista uma leitura de poemas por Rosário Antunes, Miguel Sobral e Carlos Lélis.

O FN teve acesso ao prefácio redigido por António Fournier. Nele, o académico debruça-se sobre este novo livro de João Carlos considerando que há na poesia deste autor “uma temperatura de fundo que é demasiado sincera para ser só mera impressão de leitura, destituída de valor poético”.

“Essa temperatura”, prossegue o prefácio, “tem a ver com o motor cardíaco que a move, como move um viver perenemente apaixonado, que contamina quem percorre com menos encanto os mesmos caminhos do quotidiano, e se comove com o coração de um homem que, dobrados os oitenta anos, continua a ser fiel a si próprio”.

Para Fournier, “essa temperatura sentimental (…) encontra a sua melhor expressão nalgumas das mais felizes imagens do imaginário insular, de que João Carlos Abreu, com José António Gonçalves e José Agostinho Baptista, são na poesia porventura os nossos melhores intérpretes”. O professor da Universidade Turim enaltece a forma como o autor busca “de uma forma tão autêntica, desinteressada, humanamente bela, o contacto”. Salientando a ‘joie de vivre’ do poeta, que reflecte um desapego digno de nota, reflecte uma “semântica do amor” que tem toda sua vulnerabilidade e a sua força na “procura incondicional do Outro”.

Para Fournier, aflora nestas poesias de João Carlos um testemunho de vida que se assume num “testamento poético” do autor, “para o dia em que a luz dos seus olhos já não se espelhará “nos olhos apagados do tempo”.