
O Bloco de Esquerda – Madeira não perdeu tempo a tomar uma posição sobre a polémica dos Panama Papers, que agora se estende à Madeira na figura de alguns dos seus mais importantes representantes. O coordenador regional do Bloco de Esquerda, Roberto Almada, considerou ontem à noite num comunicado que “as notícias do envolvimento da primeira figura da Região, o Presidente da Assembleia Legislativa – como um dos vice-presidentes daquele que é o primeiro órgão de governo próprio da Madeira – no escândalo dos ‘Panama papers’ reveste-se de uma gravidade que não pode passar em claro”.
Para o BE, o facto de Tranquada Gomes e Miguel de Sousa, titulares de altos cargos públicos na Assembleia Legislativa da Madeira, serem citados nos documentos da investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação deve obrigar a um “esclarecimento exaustivo acerca das procurações que detinham em seus nomes, com que finalidade essas procurações lhes foram passadas e e quais as ligações destes dois responsáveis à Mossack Fonseca, a empresas sediadas em paraísos fiscais, bem como as eventuais ligações destas à Zona Franca da Madeira”.
O Bloco vem lamentar que, uma vez mais, através de alguns dos seus mais altos dignitários, a Madeira surja associada a suspeitas relacionadas com empresas com ramificações a praças onde a fuga ao Fisco parece ser a tónica dominante”.
Salvaguardando, porém, a presunção de inocência que a todos é devida, o Bloco de Esquerda/Madeira diz, pela voz de Roberto Almada, que exige-se clarificação imediata de tais situações e, se for caso disso, a assunção de todas as responsabilidades políticas por parte dos agora referenciados neste “escândalo”.
Um escândalo que, admitiu o economista David Caldeira ontem ao canal 3 da RTP, até se pode consubstanciar em algo que não é, de facto, ilegal, tendo em conta as legislações internacionais e as específicas dos diversos países em relação aos offshores e às praças financeiras, mas que é, certamente, imoral. As práticas dos offshores destinam-se, sobretudo, a ocultar negócios menos claros, tanto do terrorismo internacional como do crime organizado, mas também do pagamento da espionagem internacional pelas grandes potências, que, disse David Caldeira, certamente não pagam aos seus informadores e espiões através de sistemas normais ou de recibo verde.
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