
Rui Marote
Ninguém pode apagar a História. Porque “História é a narração dos acontecimentos do passado que contribuíram para o aperfeiçoamento das condições intelectuais e espirituais cujo protagonista é o próprio Homem”. Foi esta a definição que aprendi no Colégio Nuno Álvares Pereira (Caroço). Nas últimas semanas não se tem falado de outra coisa que não seja a temática dos Panama Papers, sua possível ligação à Madeira e sobre se a Zona Franca é ou não um offshore.
Várias vezes ao dia percorro a Avenida Arriaga e passa-me despercebido o edifício do Estado Novo, do ex-Banco Nacional Ultramarino (hoje pertença da Caixa Geral de Depósitos).

Ora, nos anos 80, o BNU aluga ao Banco South Africa of Lisbon uns escritórios no primeiro andar, que serviria de delegação quando o empresário Joe Berardo era presidente desta instituição bancária na África do Sul.
No último andar, era a residência do director do BNU na Madeira.
Já na década de 90 do séc. XX, o banco sul-africano entrega os escritórios ao BNU.
E, em Abril desse ano, o Banco Nacional Ultramarino inaugura nesse espaço o primeiro OFFSHORE no Funchal, um verdadeiro acontecimento. 
O presidente do BNU, dr. João da Costa Pinto, e o administrador, dr. Vítor Madureira, deslocam-se ao Funchal para a inauguração do OFFSHORE.
Cerca de setenta convidados estiveram presentes, entre os quais Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional, e Nélio Mendonça, presidente da Assembleia Legislativa.
Estava assim inaugurado o primeiro OFFSHORE da Madeira.
Até ao final da tarde da passada quinta-feira estava colocada uma placa na cantaria lateral da porta, ao lado de outra com o nome CaixaEmpresas e que foi retirada ao entardecer, deixando a descoberto uma seta a apontar para baixo (visível na foto) de indicação de bocas de incêndio, símbolo que era normal na altura – hoje se a seta fosse para cima, era sinónimo de partido político.
Não registamos a retirada da placa, mas prometemos fazer uma busca no nosso arquivo e dar a conhecer uma placa que passou despercebida aos olhos dos transeuntes na altura em que esta polémica rebentou.
Resta-nos a publicação da folha interna do BNU, de nome ‘Contacto’, de Abril de 1990, nº 18, e as fotos do local onde estava fixada a placa do Offshore.
Lá diz o ditado: gato escaldado de água fria tem medo… e as polémicas em torno do ‘Offshore’ da Madeira podem muito bem querer fazer com que se esqueçam estes dados históricos.
Mas a Madeira, no passado, acolheu muito bem os offshores. E além deste, mesmo a Zona Franca já foi claramente classificada e promovida como um.
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