O fim da Fábrica Hinton, a dor dos Welsh e o nascimento do “pulmão verde”

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Fotos Rui Marote

Em 2003, e após demorada contenda, a família Welsh via, com evidente indignação,  o Governo Regional tomar posse administrativa do seu património, mais precisamente da histórica Fábrica de Açucar do Torreão, também conhecida por Engenho do Hinton. Apesar da intensidade desta controvérsia, o Governo Regional construiu, neste espaço histórico, o atual  Jardins de Santa Luzia.

Durante anos, a família Welsh tentou aprovar na Câmara do Funchal, projetos para o referido espaço mas sempre bloqueados pelas mais diversas razões. Neste, como noutros espaços da cidade.

O FN evoca mais um tempo de acesa disputa entre o governo jardinista e mais uma família inglesa na Madeira, desta feita os Welsh. A opinião pública assistiu ao veemente protesto dos filhos, Isabel e Eduardo Welsh, contra o avanço da Câmara Municipal do Funchal, então presidida por Miguel Albuquerque. De tal maneira foi a revolta da família Welsh que, a filha, Isabel Tallas Welsh, se deitou literalmente à entrada da antiga fábrica da família, no momento da entrada das máquinas para a demolição, ante o olhar atónito da polícia e dos trabalhadores que se preparavam para esta empreitada.

Venceu naturalmente a vontade do GR e da autarquia e, sobre os terrenos do antigo engenho a vapor, foram construídos os Jardins de Santa Luzia, inaugurados em setembro de 2004, hoje com grande procura por parte da população.

Em memória do período histórico de laboração do engenho, ficou a chaminé da antiga fábrica e as rodas metálicas, hoje expostas ao público. Uma prova viva do influente papel da indústria da cana sacarina na Madeira, que urge recordar.

Quando inaugurado, os novos jardins formam designados de “o novo pulmão verde” da cidade, tendo sido feita uma aposta numa diversidade floral que ali foi implantada.

Segundo a CMF,  “o  jardim apresenta uma arquitectura paisagista contemporânea,integrando o carácter cultural da paisagem madeirense no respeitante à concepção do espaço, dos materiais e plantas utilizados. O turista ou residente tem ainda, ao seu dispor um bar com esplanada, um parque infantil e um anfiteatro”.

Finalmente, as crianças e adultos desfrutam da calma e do verde dos Jardins e talvez não saibam que muitas famílias viram o seu sustento assegurado naquela fábrica de açucar. Talvez não saibam também a dor da família Welsh ao ver o seu património tomado à força pelos poderes instituídos, em nome do apregoado bem comum ou uso poúblico.