Jet set corre para ver concerto de Palma e ele continua a avisar que é “Frágil”

SONY DSC
FOTOS RUI MAROTE

 

Final da noite desta quinta feira, com a chuva miudinha por companhia e mais uma dia de trabalho à  espera, na manhã seguinte. Não são efetivamente  os melhores aliciantes para uma ida ao Teatro Municipal Baltasar Dias. Mas a presença garantida de Jorge Palma no Teatro é razão suficiente para alguns esquecerem os compromissos, os serões em família, as novelas do costume e desfrutarem da voz adocicada e rebelde daquele que é considerado um dos maiores cantores portugueses.

SONY DSC

A organização, da chancela do Festival Literário da Madeira, que decorre na Região até ao dia 16, investiu num concerto cujo protagonista cativa os melómanos pela riqueza da letra das suas composições e até mesmo pelo seu estilo rebelde e desalinhado, ainda hoje, apesar dos cabelos grisalhos.

SONY DSC

Pouco a pouco, até às 21h30, foram entrando, nesta noite, na bonita sala de espetáculos do Teatro Municipal, afavelmente acolhidos pela organização e pela diretora da casa, médicos conhecidos, professores, advogados, políticos, gestores, escritores e tantos outros anónimos que reservaram o serão para escutar a voz rouca de Jorge Palma.

A organização recomenda ao repórter fotográfico do FN a interdição de usar flash. Começo agitado para Rui Marote que, de máquina em riste e no seu estilo de não dourar a pílula, recorda que cobre eventos do género há 40 anos, pelo que dispensa legendas às regras de um trabalho que o sabe de cor. O ambiente aquece e Palma ainda não disse nada. Será que ele vai mesmo aparecer? Já houve eventos em que o cantor fez gazeta… Não, a organização garante que tudo está a postos.

SONY DSC

Apressado, em cima da hora, mas bem a tempo de assistir ao início da atuação de Palma, o FN cruzou-se também com o hoteleiro António Trindade, que deixa falar  mais alto a sua dimensão de músico e que adiou os afazeres para apreciar “um músico fecundo, uma mensagem a que não se fica indiferente e a musicalidade extrema” do artista que começou por cantar junto ao metro e subiu depois às salas de espetáculo. Mas sempre irreverente. O repórter do FN bate foto atrás de foto e, na maioria dos casos, a simpatia dos madeirenses a dar o rosto, embora outros, em menor número, dispensam os holofotes.

SONY DSC

Depois, depois, é a voz de um cantor com 40 anos de carreira, o toque exímio no piano – que ecoa e envolve toda a sala – e as conversas musicadas que prendem a plateia. Mensagens díspares desde o arranque ao som do “amor que tem lugar no silêncio e voa como o vento” ou “quantas vezes te odiei com medo de te amar”.

Outras vezes, mais racional, reconhecendo as limitações humanas perante forças transcendentes, com ou sem ironia,  “para quê fazer projetos quanto sai tudo ao contrário/ pode ser que por milagre troquemos as voltas aos deuses…”

SONY DSC

O público acarinha o cantor com palmas persistentes e ele regista e agradece o sorriso, entoando autênticas confissões de uma existência nem sempre linear, assumindo que, por vezes, “embarca em conversas banais” e que “se sente frágil”.

SONY DSC

Depois é Palma e acompanhantes: o violão, com o filho, o acordeão do Gabriel… Quando este se prepara para acompanhar Palma, o comentário ao seu estilo, desta feita, cantarolando como que para si mesmo, numa interioridade sentida, “you must remember this, a kiss is just a kiss…” e o público agradece. Segue-se uma sinfonia de aromas, ou como diz o cantor, “erva perfumada, maça de junho”, em tempos de abril.

SONY DSC
SONY DSC

Fora do Teatro, a chuva de abril já molhou toda a cidade. Lá dentro, a voz de Palma aquece os convidados, sem dar conta que a noite vai caindo.

SONY DSC

À saída do teatro, o cartaz molhado pela chuva mas omnipresente, a marcar a agenda cultural da cidade, lembrando que se está perante a VI edição do Festival Literário da Madeira, com o tema de fundo “Falsidade e Verdade na Ficção Literária”, apenas e só um pretexto para reunir diferentes sensibilidades, todas rendidas à escrita.

SONY DSC

O Concerto Antena 1 de Palma, no Teatro Municipal, atrai o público de todas as idades, mas é notória a presença de uma geração entre os 50 e 60 anos de idade. Os jovens viajam com outros ritmos. Ainda assim, Palma tem uma mensagem bem atual para todos. Afinal, quem é que nunca se sentiu frágil? Esta sexta feira, Jorge Palma volta a dar música, pelas 21h30 para quem acha que vale ainda a pena acreditar na sua musicalidade profunda.

SONY DSC

SONY DSC

SONY DSC