Miguel de Sousa critica Congresso “morno” e “D. Sebastiões” que fazem de conta

 

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Foto site PSD.

“Era melhor não ter feito este Congresso do PSD. É demasiado morno”.  O diagnóstico ao 36.º Congresso nacional do PSD é traçado ao FN pelo atual vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira.

Miguel de Sousa, que acompanha os trabalhos que decorrem em Espinho, expressa igualmente desencanto perante o discurso do atual líder, feito na noite de ontem: “É um discurso redondo. Estar uma hora a fazer de conta, sem nenhuma ideia para o futuro. Confesso que gostei muito do Dr Passos Coelho como Primeiro Ministro, sublinho a sua coragem, mas neste momento é preciso dar a volta, reconquistar a confiança do eleitorado PSD contra uma maioria contra natura que nos governa”.

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Foto in Publico.

Este histórico dirigente social-democrata e empresário lamenta a falta de oposição interna durante o processo que antecedeu o Congresso e que confirmou a vitória esmagadora do atual líder. No seu estilo direto e cáustico, Miguel de Sousa critica “os “D. Debastiões” que existem no PSD e que só fazem de conta”, não dando um passo em frente na hora da verdade”.

Os desafios políticos que se impõem aos social-democratas parecem ser tarefa que poderá não estar à altura de Pedro Passos Coelho., assume o deputado. “Neste momento, não tem a espetacularidade que é preciso ter para um partido na oposição. Até pelas características pessoais do Dr Pedro Passos Coelho, não vejo que possa ter um bom desempenho neste papel que reconheço ser difícil”.

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Resta saber se há políticos dispostos a se chegarem à frente do partido. Miguel de Sousa esclarece: “Há muita gente no PSD. Deus nos livre se a sobrevivência do partido dependesse do Dr Passos Coelho. Desta vez não se colocaram em bicos de pé mas há muita gente capaz e o País tem sabido aproveitar os bons quadros que dele saíram, como Marcelo Rebelo de Sousa e Durão Barroso, para além do próprio Passos Coelho. Virá o tempo em que se interessarão em assumir esse papel”. Um dos nomes que farão parte desta galeria possível de futuros líderes do partido, referenciado pelo nosso interlocutor, é Rui Rio, o ex-presidente do Porto.

Para além do que já foi referido, Miguel de Sousa não deixa de salientar que a Reunião Magna social-democrata acontece num momento muito difícil para o partido, porque decorre sem a dinâmica que é habitual nestes acontecimentos. “Estes estatutos que fazem eleger o líder antes do Congresso retiram-lhe emoção e espetacularidade. Por outro lado, um partido que está na oposição torna tudo mais morno e é natural que não tenha contado com muita gente. Não sei se no encerramento o líder será capaz de fazer um discurso que dê mais alegria ao partido, ao contrário do que se viu ontem”.

Miguel de Sousa também considera ser “um absurdo” alguém colocar a hipótese de que possa surgir, em Congredso, uma alternativa à liderança quando ela foi sufragada por 95% dos votos. “Uma liderança que ganha a tanta distância e de forma tão evidente é preocupante por não ter havido oposição. Há uns “D. Sebastiões” do PSD que só fazem de conta e que não quiseram se candidatar.”

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Convocado para Congresso JSD/M

No próximo fim de semana, é a JSD/M que vai a Congresso, com duas listas em disputa, Carolina Silva e André Alves. Miguel de Sousa não interfere na liderança nem assume os seus afetos, vendo como salutar a disputa. Diz que lá estará presente, na qualidade de presidente honorário da JSD e neste sentido, foi “convocado”, o que muito o honra.

A disputa de liderança com dois candidatos “é salutar”, diz Miguel de Sousa, mas deixa um alerta a todos: “O que é preciso é não fazer como o PSD fez. Lembrem-se que, depois da eleição, todos são PSD’s e necessários. É que, depois da eleição do PSD, ainda há pessoas que pensam que ainda estão em capanha ou a concorrer”.