E a esplanada “comeu” a rua

rua joão Tavira funchal cidadeHá quem não se contente com a mão e queira tomar logo o braço. Ou a rua, neste caso.

A imagem obtida na João Tavira será um exemplo paradigmático de como em certos negócios parece haver mais olhos que barriga, na ânsia de lucrar sem cuidar.

Vem isto a propósito de mais um espaço de restauração que, como muitos outros, faz dos passeios e das zonas de circulação públicas a sua sala de refeições alargada. Nada a apontar quando o bom senso prevalece e se equilibram os interesses, o público e o privado.

Neste caso, o número e a disposição das mesas destoam claramente da fluidez de uma das artérias mais movimentadas da cidade, levando alguns funchalenses a reclamarem da ocupação excessiva da via pública.

O pormenor chamou a atenção de alguns transeuntes que estranharam a “largueza” da esplanada numa rua vedada ao trânsito precisamente para garantir o acesso pedonal despreocupado e desimpedido.  A imagem mostra, porém, que a área de refeições no exterior ocupa metade da generosa artéria, limitando a circulação naquela zona.

Percebe-se que os promotores queiram rentabilizar o negócio e que as ruas do Funchal se predisponham a oferecer um ambiente à turista para o café ou refeição ligeira. Compreende-se a necessidade de não hostilizar o investimento e de apoiar a economia. Não será aceitável, contudo, que se desleixe a qualidade e a imagem do destino. Todos ficam a perder.

Caberá então às autoridades refrear apetites para que não se repitam os abusos e exageros de outras paragens na cidade, com os empresários a disputarem clientes à rua, em batalhas de cadeiras e mesas que não agradam, não promovem nem dignificam.