Bruno Pereira ‘atira-se’ a Paulo Cafôfo por causa da ‘inauguração’ do Lido

Bruno PereiraO vereador do PSD na Câmara do Funchal (CMF), Bruno Pereira não poupa nas palavras e até cita Adam Smith quando este disse “A ambição universal dos homens é viver colhendo o que nunca plantaram”.

Em causa está a ‘inauguração’ do Lido e a falta de referência ao passado e à memória de quem lançou e construiu a obra.

Eis o texto publicado em ‘Tudo pelo Funchal’ (slogan da candidatura autárquica liderada por Bruno Pereira) sob o título “o deslumbramento e as placas”:

“Ontem deveria ter sido dia de festa! O Lido, depois de 6 anos fechado, por via do temporal de 20 de Fevereiro, reabria ontem ao público. Para mais a presença do Primeiro-ministro na Região dava ainda mais visibilidade ao evento.
Contudo, o Presidente da Câmara Paulo Cafôfo conseguiu estragar a festa. Primeiro deixou o povo na rua, para que aplaudisse, mas não permitiu a sua entrada no complexo balnear. Depois fez um discurso redondo, sem chama e politiqueiro. Esforçou-se basicamente por argumentar que a obra que apresentava era totalmente sua, e que a fez independentemente da “pesada herança” que recebeu.
Nem uma frase evocativa ao Lido de outros tempos, às muitas figuras míticas que por ali passaram como José da Silva “Saca”, ao saudoso Anaim (que enchia o Lido com os seus fantásticos mergulhos) e aos muitos nadadores e treinadores que tinham no antigo Lido o seu espaço de treino.
Nem uma palavra para os responsáveis políticos que no passado desempenharam um papel importante na gestão deste complexo balnear, como por exemplo António Trindade, vereador responsável por este pelouro no início dos anos 80.
Nem um agradecimento aos projetistas da obra, ao empreiteiro e aos seus trabalhadores, aos Vereadores de gestões anteriores que desenvolveram o projeto, aos encarregados e funcionários da empresa Frente Mar Funchal, que deram o máximo nos últimos dias para que tudo estivesse pronto. Nada, um silêncio total, o passado foi branqueado e quem contribuiu para a obra não existiu no seu discurso.
Para o Presidente da Câmara não há passado, não há memória, não há equipa, não há trabalho realizado por outros. Este comportamento é ainda mais reprovável se tivermos em conta que ele próprio é professor de História. Mas a História segundo Cafôfo, começa em Outubro de 2013, quando tomou posse.
O paradigma deste comportamento de deslumbramento pelo poder e de egocentrismo desmesurado são as placas inaugurativas e os seus dizeres. Em primeiro lugar, há que afirmar que elas são muito poucas, porque Paulo Cafôfo não tem obra. Torna-se portanto necessário ter alguma imaginação para que qualquer pequena realização, ou pseudo-realização, tenha direito a placa que eternize o seu nome. Assim o foi quando mudou a designação da Cota 40, que foi batizada de Via 25 de Abril, e à conta disso associou o seu nome a esta simples mudança de toponímia e lá se colocou uma placa dourada. Na placa colocada ontem pode-se ler que o Complexo Balnear do Lido foi inaugurado por Paulo Cafôfo a 22 de Março de 2016.
Mas afinal o Lido só existe desde ontem senhor Presidente e professor de História?”, pergunta.


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