A presidente do conselho de administração do SESARAM reuniu, ontem, com os vários diretores de serviço do hospital. A principal questão em cima da mesa foi o projeto de implementação do registo biométrico que passará a controlar as entradas e saídas dos profissionais de saúde. O assunto é polémico e, conforme apurou o FN junto de alguns médicos, aqueceu os ânimos da reunião, com a presidente Lígia Correia para um lado e os médicos para outro.
No entanto, contactada pelo FN, Lígia Correia tem outro retrato da reunião, rejeita a ideia de qualquer conflito com a classe médica e reconhece apenas que são necessários introduzir alguns “ajustamentos” mas que todos estão concertados num objetivo principal comum: “A defesa do utente”.
Segundo fontes médicas, o olhar dos clínicos choca com uma visão empresarial e economicista deste conselho de administração, que tem por detrás as diretrizes do Secretário Regional das Finanças. Da parte dos médicos, há um dado que corre a seu favor: se as coisas extremarem, passam a cumprir a lei em vigor em termos de horário de trabalho e o sistema entra em rutura, desde logo as urgências. Por isso, tem sido a idoneidade e o humanismo destes profissionais que têm contribuído para evitar o colapso do sistema.
Ao FN, Lígia Correia lamenta que se passe para a opinião pública a ideia de que o SESARAM enfrente uma situação de permanente conflito ou sequer de rutura. Esta gestora diz não sentir qualquer “clima hostil” na sua relação com os médicos, apesar de reconhecer que possa haver, por vezes, pontos de vista diferentes. “A implementação do registo biométrico decorre da lei porque estamos perante uma empresa com mais de 50 funcionários e vai ser implementado. Não há oposição mas alguns ajustes a serem feitos em nome do interesse comum de todos que é o utente”.
Relativamente à controvérsia sobre o facto de este registo de entradas só ser obrigatório para os técnicos de saúde e não para médicos e enfermeiros, Lígia Correia esclarece que estes dois últimos grupos profissionais, dado o seu elevado número e por uma questão de fluidez do sistema, terão a possibilidade de fazer o registo diretamente ou aceder a um link, embora a regra geral seja o registo biométrico”.
Confrontada com um comentado “divórcio” entre a administração e a direção clínica do hospital, tendo por base as restrições orçamentais, a presidente também clarifica que não passa de boatos sem fundamento.
Instada a indicar aquele que é hoje o principal problema na gestão do SESARAM, a presidente do CA replica: “São problemas normais da gestão de uma empresa que é a maior empresa pública da Região, com um core business especial que é a Pessoa e em que é fundamental prestar um serviço eficiente e com a indispensável humanização. Não posso hierarquizar os problemas mas garantir que tudo está a ser feito para os ultrapassar”.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





