Monumento não esquece odisseia das ligações aéreas

(Foto Rui Marote)
(Foto Rui Marote)

* Com RUI MAROTE

Na Avenida do Mar existe um monumento que passa despercebido à grande maioria dos transeuntes. Trata-se do marco evocativo do voo de Gago Coutinho e Sacadura Cabral à Ilha da Madeira a 22 de março de 1921, a primeira travessia aérea entre o continente português e o arquipélago.

Numa das faces da coluna, a inscrição relativa à duração desse voo pioneiro suscita curiosidade. “Partida do Bom Sucesso às 10h30 / Chegada ao Funchal às 18h04” desafia ao exercício mental, isto se numa primeira abordagem nos sentirmos tentados a localizar o sítio nos limites da freguesia de Santa Maria Maior.

Com efeito, há quase cem anos, tanto os aviões como as vias rodoviárias e os veículos automóveis não conheciam tecnologia capaz de os mover de forma tão rápida como na atualidade. Mas, pensar que um simples trajeto entre o Bom Sucesso e o Funchal demoraria umas espantosas 7 horas e 34 minutos, seria ridículo até para a época. Nem o velhinho “Horário do Negus”, que se arrastava roncando ladeira acima, levaria tanto tempo.

Mas, porque não queremos ninguém a planar em deambulações por causa da famosa viagem, o Estepilha revela que a inscrição se refere ao Centro de Aviação Marítima do Bom Sucesso. Fica em Lisboa, à beira rio, bem pertinho da Torre de Belém. Foi de lá que há 95 anos partiu o hidroavião Felixtowe F.3 tripulado por Sacadura Cabral, Gago Coutinho e Ortins Bettencourt, acompanhados do mecânico Roger Soubiran, com destino ao Funchal.

Hoje, um voo entre a Madeira e o Continente demora bem menos, é certo. No entanto, ao preço a que estão as passagens, viajar continua a ser uma verdadeira odisseia para muitos bolsos. Apesar do seu quase anonimato, é caso para dizer que o monumento continua a marcar pela atualidade.