Auto-silo nos Barreiros deixa moradores revoltados e há suspeitas de troca de favores

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Fotos Rui Marote

A polémica continua acesa devido à obra de construção de um auto-silo junto ao Estádio dos Barreiros, propriedade do Club Sport Marítimo. O FN, que já divulgou este assunto, voltou ao local e verificou que alguns moradores não aceitam a “construção de um mamarracho que venha tapar as vistas” e dizem ter dados de uma “troca de favores entre a edilidade anterior e o Marítimo”.

Os tapumes cercam a obra em curso. Os habitantes da zona têm mesmo dúvidas de que o investimento do “clube do coração” não esteja a “roubar espaço à via pública”, numa suspeita troca de cedências entre a vereação anterior e o Marítimo e dizem já ter “alertado a Câmara Municipal do Funchal” para o problema. Entretanto, as obras prosseguem indiferentes aos alertas dos populares.

A obra da polémica já foi batizada de “galinheiro” e até os estabelecimentos comerciais vizinhos prometem não aceitar passivamente essa construção. Segundo nos relataram, “no tempo da vereação de Miguel Albuquerque, a Câmara terá cedido ao Marítimo cinco metros da via pública e, na rua logo abaixo à construção, cedeu ainda o passeio. Por conseguinte, os donos das viaturas que habitam nos prédios vizinhos não podem estacionar, ficando a faixa de rodagem ainda mais reduzida. Estas cedências oficiais tiveram contrapartidas que é preciso explorar”

O FN contactou o vereador da Câmara Municipal do Funchal com o pelouro das obras públicas e Domingos Rodrigues foi categórico: a obra foi licenciada em 2010 pela autarquia porque cumpre com o Plano Diretor Municipal. Se as pessoas gostam ou não, são aspetos laterais à gestão da edilidade, sublinhou o vereador. Também desmente que haja ocupação privada da via pública pelo Marítimo.

obra 2Em resposta às questões do FN, o autarca explicou: “O projeto do Complexo Desportivo dos Barreiros, denominado “Estádio dos Barreiros” ou “Arena Marítimo”, foi aprovado (arquitetura) por deliberação tomada em reunião de Câmara de 30 de junho de 2010. Consistia na construção de um Estádio e Auto Silo.

O alvará de obras n.º 3/2011, de 12/02, foi emitido para a totalidade do complexo desportivo, incluindo o Estádio e o auto silo.

 A obra licenciada respeita o plano de alinhamentos da Rua dos Barreiros e desenrola-se exclusivamente no interior da parcela cedida pelo Governo Regional ao Marítimo, não tendo a CMF cedido qualquer área de arruamentos”.

O vereador remeteu ao FN cópia do alvará de construção da obra controversa. Todo o complexo (estádio e auto-silo) compreende uma área total de construção de 44195m2, com uma volumetria do edifício de 97659m3, uma área de implantação de 9730,5m2, 6 pisos (4 acima da cota soleira e 2 abaixo da mesma cota), e cércea de 12,7m de altura.

Porém, os moradores na Rua dos Barreiros não se conformam. A obra está na fase de escavações e dizem que continuarão atentos à sua evolução. Falam “em troca de favores” entre a anterior autarquia e o Marítimo que ameaçam divulgar publicamente, insistindo sempre na cedência de área pública a troco de favores privados. Críticas que não obtêm qualquer eco junto da atual vereação que, no entanto, nega qualquer cedência da via pública ao Marítimo.