
O recente incêndio em cabos eléctricos do Centro Comercial Anadia, prontamente debelado pelos bombeiros, veio colocar a nu algumas fragilidades daquele edifício de acesso público, já gravemente afectado pelas enchentes do 20 de Fevereiro de 2010. Conforme referiram os próprios Bombeiros Municipais, aparentemente o fumo gerado pela combustão na cablagem eléctrica propagou-se aos andares superiores do prédio devido à ausência de material apropriado de contenção de fumo e fogo em certos espaços entre os pisos, que terá sido retirado na sequência dos acontecimentos do 20 de Fevereiro e de todas as manipulações e limpezas que foi então necessário realizar. Curiosamente, cremos que é à própria Protecção Civil e Bombeiros que cumpre fiscalizar essas regras. Mas, a somar-se a isso, o ecologista e geógrafo Raimundo Quintal, ex-vereador do Ambiente na Câmara Municipal do Funchal, veio recentemente alertar para mais uma situação, que continua a ser, em seu entender, caracterizada por perigosidade.
É que, sobre a ribeira de João Gomes, que corre paralela ao Anadia, e que transbordou de forma incrível em Fevereiro de 2010, permanece operacional um depósito de gás, que foi aprovado para aquele local apenas provisoriamente, há cerca de 20 anos. “Na altura, manifestei-me contra a aprovação pela CMF”, diz Raimundo.

No dia fatídico de 2010, o depósito não foi atingido pela cheia, “mas esteve mesmo à beira de o ser”, refere o ecologista. “Inclusive, no dia 20, ao fim do dia, houve uma ordem de evacuação daquela área porque havia ameaça de explosão”.
“Acontece”, denuncia, “que já passaram quase seis anos depois dessa trágica data do 20 de Fevereiro, e aquele reservatório continua ali, sem qualquer protecção”.
O reservatório que serve o prédio do Anadia continua situado na ribeira, que também, quase seis anos depois, continua a não ser convenientemente protegida por varandins.
“É uma vergonha para a imagem do Funchal, uma cidade considera como uma das melhores da Europa para se viver. O mesmo acontece na Ribeira de Santa Luzia”, critica.
Por outro lado, Raimundo Quintal considera muito curioso que a Câmara Municipal do Funchal, na altura da reconstrução do Jardim do Campo da Barca, tenha construído ali um reservatório de gás, “que a CMF na altura disse que iria substituir o reservatório lá de baixo, nas proximidades do Anadia, e que iriam ser construídas condutas para transportar o gás desde o Campo da Barca até lá abaixo”.
O geógrafo e ex-vereador diz não compreender porque é que, em primeiro lugar, tem que ser a Câmara Municipal do Funchal a resolver um problema que “deviam ter sido os donos daquele centro a resolver”.
No entanto, aponta, o que é curioso é que continua a funcionar o reservatório de gás sobre a ribeira, “e os últimos acontecimentos dentro do Centro Anadia mostram como de um momento para o outro podem haver aborrecimentos, e a questão de segurança é algo que deixa muito a desejar, e no Campo da Barca continua um reservatório vazio, e a CMF e o governo, neste caso a Direcção Regional que tutela estas questões, não tomam uma posição para resolver este problema antes que haja uma desgraça”.

Entretanto, e em relação ao Centro Comercial Anadia, não falta quem entenda que abriu demasiado rapidamente após o incêndio, quando ainda estava fortemente afectado pelos fumos tóxicos que lá dentro se fizeram sentir aquando do incêndio. As críticas chegaram-nos de vários sectores, quer de cidadãos, quer mesmo de elementos das forças de socorro e segurança, que pediram para não ser identificados. É entendimento de muitos que reabrir ao público no próprio dia, com imensos produtos à venda que foram sujeitos à fumarada, não foi o mais apropriado em termos de saúde pública. Não falta, aliás, quem estranhe que as autoridades competentes não se tenham pronunciado.

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