
*Com Rui Marote
É mais um dos destroços que o actual Governo Regional herda do anterior, e contribui significativamente para tornar mais feia a paisagem do Porto Novo, sem ajudar positivamente a nada. A área do antigo entreposto frigorífico há muito que constitui uma quase ‘zona de guerra’, com edifícios vazios e arruinados, numa paisagem de verdadeira devastação. No interior, onde às vezes ainda estacionam alguns carros mas onde qualquer pessoa pode entrar, fomos encontrar um cenário assustador. No interior dos grandes armazéns, jovens transviados e sem nada que fazer pintaram nas paredes slogans sugestivos, como “welcome to rat country” (bem-vindo à terra dos ratos) ou “welcome to hell” (bem-vindo ao inferno).

Claro que não é isso o mais assustador. O pior é constatar que no interior daquelas infraestruturas se encontram numerosos buracos no chão, onde uma qualquer criança poderia facilmente cair – e morrer. A entrada está livre para quem quiser entrar naquilo que quase parecem as ruínas de alguma guerra na Síria ou no Iraque, e os buracos no chão, com vários metros de altura, são vários. Se alguém caísse ali, é quase líquido que sofreria graves traumatismos ou mesmo a morte. E se calhar, mesmo que gemesse ou gritasse, só viria a ser encontrado muitos dias depois.

Esta paisagem de industrial abandono já teve, em tempos, empreendimentos de monta, como a Cofaco, a fábrica de conservas do Porto Novo, a Somagel, Sociedade de Pescas, Conservas e Congelação da Madeira, e o entreposto frigorífico propriamente dito, inaugurado em 2004. Actualmente, todos estão encerrados e nas mãos do Governo Regional e da banca.

O entreposto frigorífico, aparentemente, já não funciona de todo, mas ainda mantém três funcionários. Quanto à fábrica de conservas, chegou a fazer parte de manifestos eleitorais do PSD já em Outubro de 2011.
A Cofaco Madeira SA, segundo um relatório do Grupo Cofaco, Comercial e Fabril de Conservas SA, “tornou-se incomportável para o Grupo Cofaco a manutenção desta estrutura”, por “motivos que se prendem com a falta de matéria-prima, o elevado preço da mesma e ainda o elevado preço da estiva cobrado na Região Autónoma da Madeira”.
A actividade industrial do Grupo Cofaco passou a concentrar-se nos Açores.

Procurámos obter junto da Secretaria Regional da Agricultura esclarecimentos sobre o historial daquelas instalações e o modo como chegaram à actual situação de abandono, mas do gabinete de Humberto Vasconcelos não nos chegou qualquer informação a respeito. O Funchal Notícias apenas conseguiu apurar que a intenção do Governo Regional é alienar aquele espaço.

Entretanto, a situação vai-se mantendo. Falta de estética de utilidade e, sobretudo, de segurança.

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