Alfândega do Funchal renova fachadas para uma Autonomia de cara lavada

(Foto Rui Marote)
(Foto Rui Marote)

* Com RUI MAROTE

Há cerca de um ano, aquando da finalização das obras na Praça da Autonomia, o Funchal Notícias alertava para a incongruência que era manter as fachadas dos prédios circundantes por recuperar. Ou seja, lavavam a cara, mas os pés e as mãos continuavam sujos.

Recorde-se que, à data, o conselho de administração da Empresa de Eletricidade “se ligou” ao reparo e a empreitada não demorou na Casa da Luz.

Do lado da Ribeira de Santa Luzia, faltava o prédio sob a tutela de Maria Luís Albuquerque, a então ministra das Finanças. Um edifício do tempo do Estado Novo, imponente, sólido, destinado aos serviços alfandegários. Com mais espaços do que funções, o nº 26 do gaveto entre a Avenida do Mar e a Rua 5 de Outubro, ficava assim esquecido nas marcas da passagem do tempo. E nem a sua magnífica entrada de escadaria em pedra escapava aos que, pelo hábito, urgência ou descaramento, ali encontravam zona de conforto para alívios. Local de passagem movimentado, o cheiro a urina e a creolina sempre manchou um dos mais emblemáticos edifícios da cidade. Os alertas sucederam-se por cá, mas não obtiveram eco em Lisboa.

Da parte do Governo Regional estranha-se igualmente o desinteresse por este imóvel de grande potencial. Ao contrário do aconteceu com outros edifícios, a Quinta Vigia nunca encetou conversações com a República para a transferência do prédio. Muitos dos serviços da administração regional poderiam ali ser concentrados, evitando o GR de recorrer ao arrendamento e poupando milhares de euros mensalmente.

(Foto Rui Marote)
(Foto Rui Marote)
Com a chegada de um novo ministro às Finanças, eis que se perspetivam outros tempos. Começaram finalmente as obras de recuperação na fachada, como indicam os andaimes e a rede de proteção. Dizem que foi Maria Luís Albuquerque quem deixou a prenda no sapatinho antes de saída em dezembro, mas será Centeno quem ficará como Menino Jesus neste tão esperado renascer.
Curiosamente, ainda esta sexta-feira o presépio continuava armado à entrada do edifício da Alfândega, todo iluminado, conforme testemunha a objetiva do repórter Rui Marote. É caso para pensar que, perante tamanho milagre, os serviços não arriscam na limpeza, mesmo com Santo Amaro e Santo Antão já comemorados.
Resta-nos a satisfação de, em breve, ter uma Praça da Autonomia de cara lavada. Esperamos que o edifício da Alfândega recupere também a sua dignidade.

Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.