Klaus e o BANIF

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Os factos:
1 – Preparava-se, em 1992, a Expo98. Os USA não queriam participar. Para demovê-los organizou a nossa Embaixada um jantar com cinquenta pessoas, criteriosamente escolhidas. Barney Frank, influente na comunidade Portuguesa, fez depender a sua presença da extensão do convite ao seu motorista. Sendo importante a sua presença, aceitou-se-lhe a pretensão. Colocado à esquerda do Dr. Mário Soares, por três vezes se levantou da mesa para ir acariciar a cabeça e falar ao ouvido do seu motorista. O PR agastado, no fim do jantar, pediu explicação. Rematou a conversa assim: “ Não mo traga cá. Livre-se!” A diplomacia e os “Superiores Interesses da Nação” ultrapassaram o incidente.
2 – Outro facto que caiu mal a um eleito foi, a crítica de Merkel ao despesismo regional. Comprovo-o, transcrevendo do ex-JM, edição de 13 de Fev 2012, o seguinte:
“Indignação pelas declarações da Chanceler Merkel
Como cidadão alemão, vivendo na Madeira há 43 anos (hoje, mais português do que alemão), não posso deixar de expressar a minha indignação e repugnância pelas declarações proferidas pela Chanceler Ângela Merkel acerca da majestosa obra que foi feita nesta ilha maravilhosa.
São declarações absurdas, abusivas e sem sentido, feitas levianamente, pois não conhece, nem nada sabe o que era esta ilha quando aqui vim pela primeira vez e naquilo em que ela se tornou, graças a um homem que teve a coragem de, contra tudo e contra todos, transformar a vida dos madeirenses os quais defende intransigentemente e que pela Madeira é capaz de dar a sua vida. Klauss Friedrich”
Os dois factos têm na sua base modos diferentes de servir o BEM COMUM. Mário Soares, zangado, engoliu em seco. Alberto João, tendo razão a Chanceler, deveria seguir-lhe o exemplo. Não o fez. Tratou a questão como sempre fizera, quando alguém chamava à atenção dos madeirenses, para o excessivo endividamento público. Reagindo à denúncia de MERKEL, recorreu à sua central de propaganda afrontando-a. Criou a figura ficcional de Klauss Friedrich que, na pouco atenta opinião pública madeirense, defendeu o desatino financeiro. Porém, desta vez, deu para o torto. O segredo estava na rua e o delator, agora, era estrangeiro. Merkel, a discípula preferida de Kohl, era, injustamente, vilipendiada para que as asneiras exclusivas de Alberto João parecessem verdades imaculadas. Esgotado o personagem Klauss, o JM recorreu às responsabilidades europeias dos “desafinados” Juncker, Schultz e Merkel, bem como às responsabilidades nacionais “do governo bandalho” de Lisboa.
A propaganda não mudou a realidade, a hora da verdade aconteceu. O legado de Alberto João, ainda não totalmente apurado, é um pesadelo. Banqueiros, políticos e os amigos de uns e de outros, usando o dinheiro dos depósitos no BANIF criaram uma “máfia no bom sentido”. Aos amigos “mais íntimos”, financiava-se sem hipoteca ou, com ela inflacionada. O dinheiro passou a ser de quem o gastava e não de quem o ganhara. Os orçamentos das entidades públicas da RAM, desde há muito, são menos rigorosos do que nas empresas de média dimensão. Faltava dinheiro ao governo? Não havia problema, uma declaração de dívida supria, pagava o BANIF. O cerco apertou e, de calças na mão, assinou-se o PAEF. Findava a era dos euros em alta velocidade, ao gosto de Alberto joão. Alguns, em excesso de velocidade, acabaram no fundo do mar. Perante tudo isto os “desafinados” de Bruxelas e o “governo bandalho” em Lisboa, recorreram à extinção do BANIF.
Quem esteve no interior da “máfia no bom sentido” faliu. Veio o desemprego. Aos “empresários amigos” sobrou muito. Agora seguem-se os outros que, não recebendo do governo, financiam-no, aguentando-lhe as dívidas. Teremos mais falências, estas reais, mais desemprego e agora os empresários a perderem património honestamente ganho.
Duas perguntas: Quando é que alguém é responsabilizado; Quando é que alguém vai preso?


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