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As festas natalícias são vivenciadas pela população madeirense com profunda alegria e vivacidade, mas o seu epicentro já não tem só, a família como pilar da celebração. A estes dias festivos, que se prolongam pelas chamadas oitavas e fazem a ponte para as festas de Fim do Ano e Ano Novo, a nossa cultura mais tradicional classifica-os, simplesmente, como a Festa. Expressão simplista de enorme significado, que encerra regozijo, alegria, trabalheira, cuidados, mas também, alguma nostalgia e saudade daqueles que nós amamos muito, mas que, já não estão fisicamente connosco.
Tudo neste tempo das Festas é vivido com intensidade. E, mesmo nos corações mais fechados, há despertares que a consciência liberta quase sem darmos por isso. Razão por que as pessoas se entregam mais a gestos de humanismo e solidariedade, de entrega e partilha, de tolerância e compreensão. Mas é tudo demasiado efémero. Passado este tempo de comemoração, sem nenhum questionamento interior, voltamos a banalizar a vida, a entrega, a solidariedade, a própria trabalheira e os cuidados.
As sociedades modernas vivem tempos de profunda mutação. A que se junta uma crescente crise económica, mas sobretudo de valores. Não há ideal nem projeto. Deixámos, levianamente, que as nossas instituições e organizações, fossem capturadas por grupos que se proclamaram de idealistas e democratas mas que, na prática, tomam conta das instituições em proveito próprio ou interesses ocultos.
Natal é época de alegria e de festividade, mas não deve ser apenas o profano a juntar-se à mesa. Este tempo do Nascimento do Menino é o momento ideal para interpelarmos o nosso interior, renascermos e libertarmo-nos da mediana que tolhe a nossa iniciativa durante todo o ano.
Precisamos de procurar sempre e todos os dias a regeneração. De libertar as nossas instituições da desconfiança permanente. O regozijo, a alegria, a saudade, mas também a trabalheira e os cuidados, não devem ser apenas uma preocupação da Festa.
Com o descrédito das instituições, a profunda ausência de tolerância e de humanismo, o nosso desafio maior é trazermos para o centro da vida essa grandiosa instituição que é a Família. É, a partir dela que garantiremos que todas as outras instituições, em particular a política e a justiça e a sociedade em geral, não permanecem reféns de grupos de interesses que retiram aos povos a esperança e o verdadeiro sentido para uma vida coletiva de respeito pelos demais.
Boas festas e um feliz ano!!
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