(* Com Tomás Ornelas, Bárbara Balelo e Tomás Velosa / Na noite de 24 de agosto de 410, o Portão Salariano, uma das 12 entradas situadas no meio dos 33 km de muralhas que constituíam um círculo em torno de Roma, abriu-se silenciosamente. Foi a ruína da cidade.
Ao nascer do dia, com a ajuda de escravos de cidadãos romanos, a maioria deles bárbaros, os seus moradores acordaram ao som do trompete de Alarico, o rei dos visigodos. O coração do poder do Império Romano foi assim invadido por um exército de guerreiros nórdicos.
Antes de poderem efectuar qualquer medida defensiva teve início a pilhagem. Durante três intensos dias de roubos e violência, Roma sangrou como nunca. Embora o saque tivesse sido cruel, por ordem de Alarico e por um grande número de cristãos visigodos, muitas igrejas cristãs foram poupadas.
Segundo o historiador romano Sozomeno, “as hordas não eram formadas apenas por godos pios. Os endemoniados hunos e muitos dos visigodos e ostrogodos que compunham os exércitos eram pagãos e não ligavam para igrejas e seus seguidores”.
Piorando a situação, cerca de 40 mil escravos aproveitaram a invasão para se vingarem dos seus senhores. Foi um total caos: ruas cobertas de cadáveres e mulheres violadas.
Todo o ouro, jóias e roupas dos cidadãos romanos foram confiscados e os próprios foram torturados para que revelassem a localização de tesouros escondidos. Prédios públicos perderam estátuas e móveis, enquanto centenas de villas ardiam com o fogo iniciado pelos forasteiros.
Cidadãos romanos livres, mulheres e crianças foram levados como escravos, ficando à mercê de estranhos que os recomprassem, sob pena de terminarem os seus dias na ponta da espada de um bárbaro aleatório que não soubesse o que fazer com os prisioneiros que colectou. Para finalizar a invasão, o próprio Alarico levou consigo Gala Placídia, irmã do imperador Honório, que se encontrava em Ravena, capital então do império romano, tendo esta apenas 16 anos de idade.
Este evento surgiu como consequência de um período de 2 anos nos quais Alarico e o seu exército cortaram completamente as ligações externas com Roma e vice-versa, estacionando-se à volta da cidade. Já no cerco, cortaram a água dos aquedutos e a entrada de alimentos na cidade, forçando alguns nobres do império a oferecer ouro e jóias para a obtenção de algo que saciasse a sua fome.
Após o saque, os bárbaros tinham colectado cerca de 2,3 mil kg de ouro, 13,5 kg de prata, 4 mil túnicas de seda, 3 mil couros escarlates e 1,3 kg de pimenta. Foi a pior catástrofe criada pelo homem que alguma vez havia ocorrido em Roma.
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