As máscaras da comunicação!

No início das contas… é carnaval. Quase toda a gente sorri. Escolher onde colocar a nossa energia também é uma forma de responsabilidade.

Se neste carnaval todos nós fossemos marionetas com fios invisíveis presos ao infinito do céu possivelmente seríamos muito mais felizes. Há um movimento de folia por todo o lado.

Enquanto há tempo, há vida. Enquanto podemos, vamos. Enquanto esperamos, movemo-nos. Porque o que sobrevive ao tempo continua a dar luta. E o luxo é tempo que nos sobra. Rimo-nos de carnavais passados, brindamos ao presente e fingimos que o futuro não tem pressa. Assim como a doce inocência das crianças. Os pais sabem: filhos são para sempre.

Nem sempre o cérebro das crianças estará pronto para aprender ou obedecer precisamente no momento em que os pais desejam. Até aos 3 anos, os bebés estão com imaturidade neurológica. Antes dos 3 anos esperar que obedeça prontamente é como esperar que um bebé de 4 meses comece a andar. O corpo e o cérebro simplesmente ainda não têm a estrutura necessária para que aconteça. Poderá sim acontecer, em alguns momentos, apenas quando a solicitação coincidir com a vontade do bebé. Tudo o resto, exigirá do adulto: exemplo, repetição e paciência.

Ao longo do ano existem datas comemorativas, por exemplo, a Páscoa, o Natal, o Carnaval… cada época desfruta o seu lugar no calendário, o seu tempo de comemoração… assim como, cada criança também ao longo do seu desenvolvimento tem o seu ritmo (ainda que existam marcos de desenvolvimento como referências) e mesmo assim, necessita de adultos que as conduzam, organizem e dêem direção.

Não é sobre deixar fazer tudo ou dar tudo o que a criança quer. Nem sobre ensinar mais. É sobre ensinar como fazer melhor. Agentes educacionais atentos. Há limites que não são negociáveis. E sim, podemos ensinar através do exemplo, com inteligência e paciência. A coragem de dizer não e sustentar o choro com firmeza e afeto.

A Comunicação é o epicentro, a verticalidade do hipocentro da linguagem expressiva, compreensiva e da fala.

A impetuosidade não apareceu de repente. Cresce em conflitos mal resolvidos, limites sem acompanhamento. A responsabilidade, a empatia, o respeito ensinam se… e a infância é o tempo certo. Tudo o que é tolerado na infância acumular-se-á na adultez. Hoje, pequenos gestos ignorados serão padrões amanhã. Interromper comportamentos comunicacionais inadequados antes que as crianças cresçam é admirável. As famílias moldam gerações. A não superação dos desafios que as crianças apresentam dentro da escola muitas vezes tem como local de rastilho, o ambiente das suas casas.

Refletir sobre: enfrentar a adaptação escolar talvez seja o mesmo que não possuir hábitos comunicacionais saudáveis em casa… e oxalá que consigamos viver vários momentos diários em offline, porque no fim das contas ninguém leva a mal… todos os dias é carnaval.

 

Drª. Luísa Maria
Terapeuta da Fala
Especialista em Miofuncional Orofacial

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