Hospital desmantela ortopedia pediátrica e provoca onda de contestação

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O serviço de ortopedia do Hospital Dr.Nélio Mendonça continua a atravessar momentos conturbados com reflexos para os utentes, desta feita as crianças. O FN foi informado de que foi desmantelada a unidade de ortopedia pediátrica, o que é visto pelos médicos como “um retrocesso sem precedentes face ao país a às normas europeias”.

Na prática, desativar a ortopedia pediátrica e transferi-la para a pediatria significa que, segundo nos foi relatado, “uma criança que entre no hospital com uma fratura passa a ser atendida pelo serviço geral de pediatria”.

O responsável pela ortopedia pediátrica terá deixado de exercer as funções de coordenação desta área e a mesma transitou para a pediatria.

A ortopedia pediátrica foi criada no SESARAM há cerca de uma década e era considerada exemplar a nível do país. Os seus mentores foram o então diretor do serviço, Luís Filipe Costa Neves, e a médica Cristina Alves, atual presidente da Associação Nacional de Ortopedia Pediátrica. Esta profissional deixou a Região há cerca de cinco anos e exerce funções a nível nacional.

Quem não esconde a sua indignação é o ortopedista Luís Filipe Costa Neves que considera a desativação da ortopedia pediátrica “um ato de leviandade e ignorância porque significa estar em contra-ciclo com as modernas práticas nacionais e europeias”.

O ex-diretor do serviço de ortopedia, que diz ter sido convidado a sair do Hospital em 2008, deixa claro que não pretende colocar-se em bicos de pés porque a sua vida é agora dedicada à medicina privada. Mas não deixa de notar, “com tristeza e indignação, o facto de a ortopedia e a saúde em geral na Madeira estar a ser gerida ligada ao piloto automático virado na vertical, em sentido descendente. Estamos a assistir à destruição dos conceitos que prevalecem hoje na saúde para voltarmos atrás quase 30 anos. Só nos falta agora mandar as crianças para o Hospital dos Marmeleiros, para o isolamento,como se fazia há anos”.

Na sua ótica, o assunto do momento que domina a saúde é o hospital novo, que Filipe Costa Neves aprova totalmente, mas lembra que ninguém está a pensar a sério nos serviços hospitalares e na necessidade de acompanharem as diretrizes nacionais e europeias.

Qual a solução para tudo isto? “Eu não sei. Pergunte-se aos políticos que eles têm solução para tudo. Infelizmente, trata-se a saúde com uma ignorância atroz.Muitos preferem manter a paz podre e deixar andar. Só lamento que o trabalho grande de uma equipa que construiu a ortopedia pediátrica, com um excelente corpo técnico de enfermagem, seja agora deitado fora por quem deveria estar num lar a aprender a fazer ponto cruz”.

Como Filipe Costa Neves, outros médicos expressam o seu desacordo face ao que se está a passar na ortopedia, um serviço que continua a estar na ordem do dia pelas mais variadas e piores razões.

No último contacto que o FN fez para a tutela, foi divulgado que o novo diretor de serviço, Anacleto Mendonça, prepara um plano de reestruturação para o serviço, desconhecendo-se o ponto atual desse estudo.

Desde o início da tomada de posse do atual secretário regional da Saúde que o FN aguarda uma entrevista com João Faria Nunes que tem vindo a ser sucessivamente adiada.